sábado, 7 de janeiro de 2017

Eu sou as cicatrizes do meu corpo
E todas as decisões erradas que tomei
Sou as coisas que perdi pelo caminho
Os vexames que passei por ir longe demais
E as queimaduras, por ousar o fogo
Eu nunca fui aquilo que penso antes de dormir
Nem os devaneios que me assaltam na janela do ônibus
Não sou o que prometo nas viradas de ano
Ou o que planejo para a semana seguinte
Sou apenas os passos que tive coragem de dar
Mesmo os que acabaram em queda
Sou essa mancha que me cobre os dois joelhos
De quem escolheu a velocidade sem prudência
E errou na hora da curva
É que o ser não se faz com a cabeça
E sim com os pés
Não existe nenhuma garantia de ser
Quando se escolhe o futuro como tempo
E a imaginação como lugar
O ser pertence ao passado
Eu fui, é o único tempo verbal que o garante
Porque ser não é promessa
É rastro

Rita Almeida

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