<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192</id><updated>2012-02-16T20:43:10.721-08:00</updated><title type='text'>Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-9014881552295813969</id><published>2012-02-08T14:10:00.001-08:00</published><updated>2012-02-08T14:14:31.514-08:00</updated><title type='text'>A epidemia de doenças mentais</title><content type='html'>Por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é necessário ser especialista para ver “a olho nu” o que algumas pesquisas, aqui e acolá já constataram: as desordens psíquicas ou psiquiátricas estão em uma reta ascendente, e o que é pior, sem perspectivas de estabilização ou redução. Diante desta realidade, as perguntas que vou fazer a seguir não são de modo algum inéditas, mas precisam ser repetidamente levantadas: Será que estamos mesmo adoecendo mais da nossa psique? Ou será que estamos apenas conseguindo diagnosticar, pelo avanço das ciências médicas e psicológicas, problemas que antes não conseguíamos? Ou será ainda que ampliamos tanto o limite do que é considerado “patológico” que transformamos todos em doentes mentais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de outros campos da medicina, a psiquiatria traz consigo uma particularidade, especialmente no que se refere ao diagnóstico, já que grande parte das doenças mentais não é comprovada por exame. Ou seja, mesmo que o sujeito não apresente nenhuma anomalia ou disfunção que possa ser observada em um laboratório de análises clínicas ou de imagem, ainda sim, por um conjunto de sintomas e sinais, ele pode ser diagnosticado como portador de algum transtorno mental. Essa peculiaridade leva a algumas questões éticas que perseguem a psiquiatria desde o seu nascimento: Qual é o limite que distingue a loucura da normalidade? Como fazer esta medição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse incômodo ético é muito bem ilustrado na trágica história de Simão Bacamarte contada, brilhantemente, por Machado de Assis, em “O Alienista”. A história conta que o renomado médico Simão Bacamarte decide se enveredar pelo ramo da psiquiatria iniciando, na Vila de Itaguaí, um estudo sobre a loucura. Bacamarte, em nome da ciência, se dispõe a classificar os moradores da Vila, observando atentamente suas loucuras e medindo seus graus e variações. Na medida em que ia diagnosticando os loucos, Bacamarte decidia por interná-los na Casa Verde, instituição fundada exatamente para este propósito. Mas, conta a história que, imbuído de um criterioso rigor científico, Bacamarte acabou por internar quase toda a população de Itaguaí, inclusive a própria esposa. No final, atormentado por uma dúvida ética que o persegue a partir de um determinado momento do seu estudo, Bacamarte percebe-se como o único sadio, mas sendo por isso, o desviante do padrão, conclui que o correto a fazer seria libertar a todos e se internar na Casa Verde, onde morre solitário alguns meses depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a novela Machadiana - publicada pela primeira vez em 1882 - nos soa mais como uma profecia. O DSM IV – bíblia da psiquiatria americana exportada para o mundo – transforma quase tudo em patologia. Fica praticamente impossível não se identificar com alguns de seus transtornos. Um amigo psiquiatra (daqueles que possuem crítica sobre sua conduta) me disse que se tornou comum diagnosticar a tradicional “pirraça de criança” como TADH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) que, convenhamos, se trata de um nome muito mais pomposo e inteligente para definir e rotular nossas crianças. Sendo assim, a começar por nossas crianças, a vida de agora imita a arte de outrora, estamos gradativamente aumentando o número de portadores de algum transtorno mental e, portanto, passível de algum tipo de tratamento ou medicalização. Só nos resta saber quem vai sobrar com sanidade suficiente para diagnosticar os demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a psicanálise, entretanto, o sintoma não é simplesmente uma patologia, é também e principalmente, a forma com a qual nos apresentamos para o mundo. Sendo assim, nossos sintomas, os mesmos que às vezes nos atormentam, também falam de nós, de como lidamos com o outro e o mundo que nos cerca. Freud - considerado hoje ultrapassado por muitos psiquiatras e neurocientistas - dizia que os sintomas não deveriam ser silenciados, mas escutados, já que eles, apesar de causadores de sofrimento, também nos trazem algum tipo de satisfação. Clarice Lispector, de maneira mais poética, escreveu algo parecido: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a psiquiatria que vemos em ascensão, infelizmente, não pensa desta maneira. Curiosamente, na era da defesa irrestrita das chamadas “liberdades individuais”, assistimos uma intolerância sem precedentes a todo o tipo de desvio ao padrão. Enquanto levantamos as bandeiras de uma nova ordem onde todos têm o direito de ser do jeito que bem quiser, contraditoriamente, tememos qualquer tipo de exceção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente e necessário, assim como fizeram em certo momento os habitantes da Vila de Itaguaí, nos rebelarmos contra a banalização do diagnóstico psiquiátrico, a medicalização da vida e dos nossos problemas relacionais e cotidianos, sob o risco de nos transformamos numa geração de zumbis dopados e débeis, incapazes de suportar quaisquer frustrações, dores e estranhezas, as mesmas que reafirmam nossa condição de humanos. Deveríamos seguir numa outra direção, tomando como linha de fuga um conselho dado pela Dra Nise da Silveira, psiquiatra brasileira que, na década de 40, iniciou uma revolução no tratamento dos doentes mentais. Dizem que certa vez ela disse à Elke Maravilha  o seguinte: “Nunca se cure demais, gente muito curada é gente muito chata.” Nessa mesma linha segue também a ética inaugurada por Freud: é impossível eliminar todos os nossos sintomas sem perder junto com eles, aquilo que representa nosso estilo de ser, aquilo que nos aproxima da obra de arte e nos afasta de sermos mera cópia de um original previamente definido, higienizado, polido e considerado normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-9014881552295813969?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/9014881552295813969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=9014881552295813969' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9014881552295813969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9014881552295813969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2012/02/epidemia-de-doencas-mentais.html' title='A epidemia de doenças mentais'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-4052037759079282256</id><published>2011-11-03T05:44:00.000-07:00</published><updated>2011-11-03T05:44:47.160-07:00</updated><title type='text'>"Como educar adolescentes"</title><content type='html'>Por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você espera ler alguma espécie de manual sobre como educar filhos, esqueça. O título deste artigo é apenas uma ironia, por isso está entre aspas.  Afinal os manuais são mesmo como dizem: muito bonitos na teoria. Na prática, cabe a cada um construir seu próprio estilo de educar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa sociedade não tem nenhum ritual de passagem que faça a marcação da entrada do sujeito na fase adulta, o que, na minha opinião, dificulta muito as coisas. Então, somos jogados irremediavelmente nesse limbo entre a infância e a idade adulta, que aprendemos a chamar de adolescência.  A adolescência fica então caracterizada como um lugar intermediário por excelência, uma espécie de purgatório que precisamos atravessar para chegarmos no “mundo adulto” (se é que isso realmente existe).  Mas, se é difícil passar pela adolescência, não é menos difícil ser pai ou mãe de adolescentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bebês são encantadores, porque nos fazem sentir importantes, necessários, e mesmo fundamentais. Mesmo os pais mais desconfortáveis com a existência se rendem a poderosa sensação de encarnarem os seres mais importantes da face da terra, ao se depararem com um serzinho que depende totalmente deles.  E amamentar então? Me digam as que já experimentaram... É sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já as crianças pequenas são adoráveis. Estão descobrindo o mundo, e acreditam que nós, seus pais, sabemos tudo, que temos todas as respostas. Somos seus mestres e seus heróis.  Elas nos mantêm a ilusão de sermos capazes de ler pensamentos, prever o futuro ou a metereologia. Nossos beijos e abraços são tão poderosos! Capazes de fazer passar todas as dores, curar todos os males e aplacar todos os medos e aflições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí, de repente, eles crescem...muito mais do que poderíamos imaginar, e muito mais rápido do que gostaríamos.  Passam a prescindir da nossa presença, da nossa opinião e da nossa companhia.  Num dia correm pra nossa cama com medo de algum sonho ruim e no outro, sem que a gente se dê conta, passam a noite sozinhos, “na balada”, passando pra nós a vez de ficar com medo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ficamos com medo porque nos damos conta de que não podemos mais protegê-los de tudo, como acreditávamos.  Porque percebemos que nosso abraço já não tem mais o poder de antes. Ficamos inseguros porque o tradicional “mamãe está aqui” ou ”papai está aqui” não são mais suficientes. Agora eles raramente querem ouvir nossa opinião ou resposta para alguma pergunta, a menos que seja, é claro, para nos dizer o quanto estamos equivocados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adolescência dos filhos é, portanto, um enorme tombo narcísico para nós, os pais. Um soco na nossa prepotência. Passamos a nos sentir desimportantes, desnecessários e até mesmo descartados. E se por vezes ficamos completamente perdidos e desorientados é, principalmente, porque teimamos em admitir que eles estão apenas traçando seu próprio caminho e para isso, precisam mesmo manter uma certa distância de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguramos os bebês no colo. Mantemos as crianças de mãos dadas. Mas os adolescentes já não querem mais andar de mãos dadas conosco, nem metaforicamente falando. Então nos resta apenas caminhar com eles mantendo uma certa distância, torcer para que as coisas se encaminhem da melhor maneira possível e esperar de braços abertos caso precisem de nós mais uma vez - e é certo que vão precisar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que torna espinhosa a vida de pais de adolescentes é que eles nos mostram, e com certo gozo, onde fracassamos. E alguns dos nossos fracassos pesam muito porque percebemos que o amor que temos por nossos filhos justificam alguns erros, mas não todos. Mas não se preocupe, também educamos com nossos fracassos. Uma geração mais nova é sempre suficientemente inteligente para aprender com os erros da geração anterior. A evolução das espécies tem acontecido desta maneira há milhares e milhares de anos, apesar de, às vezes, duvidarmos desta premissa quando se trata da raça humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tinha perdido o hábito de rezar, mas, ultimamente, tenho apelado para este recurso a fim de não entrar em pânico. Tenho adquirido serenidade para compreender que o que posso fazer agora é dizer com toda a minha alma: “Oxalá meus filhos façam boas escolhas e sejam felizes com as escolhas que fizerem!” Sim, porque cada vez mais percebo que o que eles poderiam aprender comigo, já aprenderam. As virtudes e os valores que eu poderia passar para eles, já foram passadas. E que ninguém tenha dúvidas, foram passadas muito mais pelo que fui do que pelo que eu disse. Portanto, quem esperou seu filho chegar na adolescência para se aproximar dele o suficiente para educá-lo, sinto muito...o jeito agora é redobrar as orações.  E para os que ainda têm crianças, não percam tempo, elas crescem muito, muito rápido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-4052037759079282256?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/4052037759079282256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=4052037759079282256' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4052037759079282256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4052037759079282256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/11/como-educar-adolescentes.html' title='&quot;Como educar adolescentes&quot;'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6174533106741925933</id><published>2011-09-13T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-09-17T16:38:26.139-07:00</updated><title type='text'>O Horror Capitalista</title><content type='html'>Por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;Psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz algum tempo que o capitalismo é mais lucrativo nas cirandas financeiras do que na produção de bens ou serviços. Os grandes lucros do capitalismo atual não são gerados pela exploração do trabalhador, aquela denunciada por Marx, mas de um modo bem mais silencioso e eficiente: na especulação financeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A especulação, como o próprio nome já diz, consiste basicamente em: comprar e vender coisas que não existem por meio de apostas em negócios que também não existem, que poderão existir se muita gente apostar neles, mas que podem quebrar se muitos deixarem de apostar, mesmo sem nunca terem existido. Isso é, resumidamente, o que aconteceu na crise americana de 2008. O chamado “estouro da bolha”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viviane Forrester em seu livro “O Horror Econômico” de 1997 (talvez mais atual hoje do que quando foi publicado) afirma que nesta nova roupagem do capitalismo, consumir seria nosso último recurso, nossa última utilidade. Já que trabalho e produção não geram mais riqueza, seríamos apenas clientes necessários ao tão esperado “crescimento econômico”, prometido para acabar com todos os nossos males e aflições. Assim seguimos consumindo e consumindo, cumprindo religiosa e subservientemente nossa função neste sistema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, aumento de consumo anda sempre de mãos dadas com o aumento do endividamento e da inadimplência. Especula-se que cada lar americano, por exemplo, deva em média US$ 10.000,00, só no cartão de crédito. No Brasil entramos neste "boom" de consumo mais recentemente. O crescimento econômico da Era Lula, permitiu a entrada de 40 milhões de pessoas no mercado consumidor, e a reboque disso aumentou também o número de endividados. Sendo assim, dá pra compreender porque além de “dicas de moda”, “dicas de saúde”, “dicas de alimentação saudável” os programas de TV, de olho no endividamento e na inadimplência dos brasileiros, têm oferecido também programas e reportagens com “dicas para o consumo consciente”, que consistem, basicamente, em culpabilizar o devedor pelo seu endividamento. Esquecem de mencionar que a condição que o capitalismo atual nos impõe é mais ou menos a seguinte: consuma, consuma e consuma, porque disso depende o humor do mercado e, consequentemente, o sucesso do capitalismo (e o sucesso de todos nós). Mas, se isso que esperamos e desejamos que você faça te levar a falência ou ao desespero total, não culpe o sistema, foi apenas um erro seu. Então, sem tocar na contradição imposta pelo próprio sistema capitalista, o que vemos nesses programas são orientações para nos fazer acreditar que se nos endividamos ou nos tornamos inadimplentes é, simplesmente, porque não consumimos de maneira educada ou consciente. É o mesmo que prometer a felicidade plena para aquele que comer o maior número possível de jacas e depois responsabilizar o comedor de jacas pela indigestão causada pela sua falta de educação ou consciência para comer jacas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém definiu melhor o capitalismo especulativo que Slavo Zizek: “é um ato de pedir emprestado ao futuro”. E na verdade é o que temos feito, entrando nessa ciranda de dívidas, empréstimos e prestações, pedindo emprestado ao futuro para vivermos felizes hoje. Afinal, como diria o slogan de um certo cartão de crédito, “a vida acontece agora”, não é mesmo? Então compramos hoje para pagar amanhã. E amanhã pagamos o que compramos ontem. Depois pegamos emprestado do amanhã para pagar o ontem e o hoje, e pegamos emprestado ao depois de amanhã para pagar o empréstimo que fizemos ontem e para comprar o que precisamos hoje. Assim nos tornamos reféns deste círculo vicioso que não pode mais parar, porque se parar chegaremos à conclusão que ontem, já estávamos quebrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a questão é que, apesar das tais “dicas para o consumo consciente” tratarem essa “bola de neve” financeira como uma falha no sistema capitalista ou pior, como uma falha sua ou minha em lidar com o sistema, a verdade é que este é o eixo de sustentação sobre o qual gira o capitalismo; é sua característica. O endividamento para o consumo não é uma falha do sistema, é exatamente a sua força, é nessa ciranda de dívidas que o capitalismo de hoje se sustenta, se retro alimenta e se perpetua. Tanto é assim que não somos apenas nós, pessoas comuns, que entramos nessa ciranda. As grandes corporações financeiras e os grandes bancos também operam desta maneira e não é incomum que cheguem à bancarrota. Mas a diferença é que, para eles, a salvação virá; e não serão culpabilizados, mas premiados. Com a justificativa de que se quebrarem promoverão uma quebradeira geral mais danosa ainda para o restante da população, as grandes corporações são enxertadas com dinheiro dos governos; dinheiro público, obviamente. Zizek chama este tipo de intervenção de “capitalismo socialista”. Um tipo peculiar de medida “socialista”, cuja meta principal é ajudar os ricos e não os pobres. Ironicamente, socializamos o prejuízo, e é claro, com a justificativa de que é para o bem estar de todos. Socialismo que, neste caso, não é ruim, já que serve para estabilizar o capitalismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabemos até quando o futuro será complacente com o capitalismo. Tomara que não muito mais. E espero que possamos mudar o rumo das coisas antes que seja tarde. Enquanto isso, a pergunta que não quer calar é a seguinte: se o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos não consegue pagar suas dívidas, porque eu ou você deveríamos conseguir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6174533106741925933?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6174533106741925933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6174533106741925933' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6174533106741925933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6174533106741925933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/09/o-horror-capitalista.html' title='O Horror Capitalista'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-5890381999875399922</id><published>2011-08-28T19:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-29T09:16:01.963-07:00</updated><title type='text'>Declaração pela Libertação Feminina dos Trabalhos Domésticos.</title><content type='html'>por: Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;trabalhadora do lar e fora do lar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A década de 60 inaugurou a “queima de sutiãs” como ato simbólico da luta das mulheres contra a opressão. Décadas depois podemos dizer que nós mulheres tivemos muitos êxitos, conquistamos espaço e direitos, especialmente no espaço “fora do lar”. No entanto, dentro dos nossos lares a coisa não mudou muito, continuamos sendo oprimidas, principalmente pelo que chamamos de dupla ou até tripla jornada de trabalho. Para as que trabalham fora e não podem pagar por uma empregada (e a tendência é que este seja cada vez mais um artigo de luxo) o trabalho doméstico é uma sobrecarga que oprime e restringe as liberdades femininas. Por isso, decidi escrever um esboço do que deveria ser a Declaração pela Libertação Feminina dos Trabalhos Domésticos. Sugiro que, num ato simbólico, queimemos dessa vez, vassouras, rodos, panos de chão, palhas de aço e afins, para declarar, de uma vez por todas, que as tarefas do lar NÃO são de responsabilidade exclusiva das mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Declaração pela Libertação Feminina dos Trabalhos Domésticos&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que historicamente o trabalho doméstico e o cuidado das crianças pequenas tem sido uma responsabilidade atribuída eminentemente às mulheres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando que a dupla e a tripla jornada de trabalho tornou-se uma realidade comum para as mulheres brasileiras, que causa sobrecarga e restringe as liberdades das mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considerando a prevalência de uma educação machista que não valoriza ou estimula o aprendizado das tarefas domésticas e de puericultura para meninos, rapazes ou homens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Princípios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem alguns princípios básicos que regem o trabalho doméstico, fundamentais para a compreensão das diretrizes desta declaração. São eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro princípio: Se alguém não fez não está feito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo princípio: Se alguém não limpou não está limpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro princípio: Se alguém na guardou não está guardado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto princípio: Se alguém não comprou não está disponível para consumo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais princípios merecem destaque porque, em geral, as pessoas que não tem o costume de se ocuparem do trabalho doméstico acreditam que ele é executado automaticamente, sem que alguém o faça. Outros tendem a pensar que o mesmo é diariamente executado por alguma entidade sobrenatural, o que declaramos não ser verdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partindo de tais considerações e princípios, declaramos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tarefas do lar são de responsabilidades de todos os que nele residem; homens e mulheres sejam eles adultos ou jovens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo único: ao executar uma tarefa doméstica o executante NÃO está fazendo um favor para a mulher ou mulheres que ali residem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meninos e meninas, sem distinção de gênero, serão educados desde criança para executarem tarefas domésticas, além de aprenderem noções de puericultura.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: pais, mães ou responsáveis ensinarão gradativamente tais atividades às crianças, sempre respeitando o nível de compreensão, responsabilidade e maturidade de cada idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: fica declarado proibido ensinar tais tarefas de maneira diferenciada por distinção de gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eletrodomésticos tais como máquina de lavar roupa, forno de microondas, freezer, secadora, aspirador de pó ou outros que comprovem sua eficácia na facilitação do trabalho doméstico, passam a ser considerados gêneros de primeira necessidade para o lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo único: tais produtos deverão ser alvo de investimento nas políticas a fim de possuírem preços acessíveis e garantia total de reposição imediata em caso de roubo ou defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empresas públicas e privadas devem investir em tecnologias para o trabalho doméstico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: Deve-se estimular a produção de tecnologias que, comprovadamente, reduzam a penosidade e o tempo gasto com o trabalho doméstico, como por exemplo: tecidos que não amarrotem e não manchem; panelas que realmente não agarrem sujeira; pisos, de tecidos e tapetes que absorvam a sujeira; aspiradores de pó inteligentes; brinquedos que se encaminhem automaticamente para caixa após determinado tempo em desuso; fogões, fornos e geladeiras que sejam de fato autolimpantes; e outros.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: Deve-se investir também em tecnologias avançadas para estimular a execução dos trabalhos domésticos, como por exemplo, sistema de alarme que impeça que a TV, o computador, o microondas ou chuveiro elétrico funcionem se a pia estiver cheia de louça ou as camas estiverem desarrumadas ou o cesto de roupa suja ou varal estiverem cheios (o mesmo sistema de alarme poderá também trancar portas e janelas até que o trabalho devido seja executado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo V &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica declarada proibida a produção de pisos e móveis que precisem ser encerados, acessórios de cozinha que precisem ser areados e tecidos que precisem ser passados a ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo único: As empresas interessadas terão 8 meses para se adequarem, a contar da publicação desta declaração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica instituído que o termo “totalmente branco” para qualificar os tecidos é preconceituoso e discriminatório, sendo assim, todas as tonalidades de branco serão respeitadas e aceitas igualmente, sem distinção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher terá o direito de se desfazer (jogar no lixo), sem nenhuma culpa ou qualquer ônus, de panelas com substâncias agarradas demais ou queimadas e roupas ou sapatos sujos de barro, tinta ou graxa, sempre que ficar para ela o trabalho de limpeza dos mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: Sugerimos que a mulher que se sinta prejudicada com a execução desse tipo de tarefa dê ao dono do objeto em questão 24 horas, não prorrogáveis, para limpar ou se livrar ele mesmo do referido objeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: Caso a mulher tenha que se livrar do objeto não será de sua responsabilidade a reposição do mesmo, caso não lhe pertença. No caso de objetos da casa, todos deverão arcar com os custos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo VIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação e o cuidado dos filhos também NÃO é tarefa exclusiva das mulheres ou mães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo único: Com exceção da amamentação, e por motivos óbvios, os homens poderão e deverão executar quaisquer outras tarefas concernentes aos cuidados e a educação dos bebês e crianças pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo IX&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vaso sanitário passa a ser território de responsabilidade única e exclusiva do sexo masculino ou daqueles que, na residência, urinem de pé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: Todos os meninos passarão por um ritual de iniciação assim que adquirirem altura para urinar de pé no vaso sanitário. A partir deste ritual aprenderão a urinar dentro do vaso e também adquirirão noções básicas e avançadas de como cuidar da limpeza e desinfecção diária do mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: O ensino e a manutenção dos rituais de cuidado com o vaso sanitário deverão ficar sob responsabilidade exclusiva dos homens; adultos ou jovens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 3°: Uma mulher só poderá executar tais funções se e somente se não houver nenhum homem, adulto ou jovem, no lar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo X&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher que se sentir prejudicada pela não execução das tarefas do lar em conseqüência do desrespeito aos termos desta declaração terá o direito de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: reclamar, gritar ou proferir palavras de baixo calão sem culpa e sem que lhe seja imputada nenhuma pena ou sanção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: jogar no lixo, arremessar pela janela (guardando os devidos cuidados para evitar acidentes) ou queimar (guardadas as prerrogativas de segurança para evitar incêndio) os objetos que ficarem fora do seu lugar devido por mais de 24 horas, sem justificativa plausível e expressa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 3°: se ausentar do lar por período de até 3 dias, sem que se caracterize abando do lar ou de incapaz, ou até que as tarefas sejam executadas e o fato seja oficialmente comunicado a ela por meio de telefonema, e-mail ou mensagem de celular. Se até no terceiro dia as tarefas não forem executadas cabe a mulher contratar uma diarista que assuma a execução das tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 4°: todas as medidas autorizadas neste artigo não devem resultar em nenhum ônus financeiro para a mulher que as executou. Reposição de objetos e pagamento de diarista, por exemplo, devem ser de responsabilidade dos demais moradores da casa que não executaram as tarefas devidas. Para os que não recebem salário o pagamento deve ser feito com mesada ou afins.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo XI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda mulher terá o direito de se negar a fazer atividades ou favores sempre que se sentir exigida em excesso, desrespeitada no seu descanso ou sobrecarregada. Neste caso terá o direito de:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: responder “agora NÂO”, “hoje NÂO” ou simplesmente “NÂO”, sem culpa e sem que lhe seja imputada nenhuma pena ou sanção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: responder “NÂO sei”, “NÂO vi”, ou “está onde você deixou”, quando interrogada sobre a localização de objetos que não lhe pertencem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 3°: fingir não ter escutado, quando repetidamente lhe pedirem favores sem noção do tipo: “pegue minha toalha”, “pegue minha cueca”, “me traga um copo d’água”, “me traga uma cerveja” ou “frite um ovo pra mim”, especialmente quando não forem associados às palavras: “por favor” e “meu amor”, “mãezinha querida”, “minha rainha”, “melhor mãe do mundo”, “dona do meu coração” ou afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo XII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os casos onde a dependência da mulher para executar o trabalho doméstico é grave, baseados nos princípios que norteiam esta declaração, esclarecemos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 1°: Roupas e sapatos não se encaminham automaticamente para o armário, para o cesto de roupa suja ou para a máquina de lavar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 2°: A água na geladeira não é fruto de geração espontânea, assim como, papel higiênico e sabonete também não nascem espontaneamente nos seus respectivos suportes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 3°: Geladeira e despensa precisam ser continuamente abastecidas, por meio de idas freqüentes e rotineiras a padarias, açougues, quitandas e/ou supermercados. Alguns imaginam que ao retirarmos algum item daqueles lugares outro assume imediatamente seu lugar. Reiteramos que essa teoria não possui nenhum fundamento científico que lhe dê sustentação, portanto, não é plausível a sua defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 4°: Apesar de defendermos este tipo de tecnologia no Artigo IV, ainda não contamos com alguma que faça com que pisos, tapetes e mobiliários absorvam imediatamente água ou sujeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo 5°: Animais domésticos não conseguem se alimentar sem contar com o auxílio de um ser humano. Isso vale também para os cuidados de higiene (excetuando os gatos) e a limpeza dos seus dejetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo XIII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os artigos desta declaração têm o objetivo de reduzir a sobrecarga de trabalho imputada às mulheres, especialmente às mães de família que também trabalham fora do lar. Sendo assim, todas as sugestões encaminhadas com a finalidade de aperfeiçoar e melhorar esta declaração serão estudadas para possível inclusão no texto final. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 de agosto de 2011.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-5890381999875399922?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/5890381999875399922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=5890381999875399922' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5890381999875399922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5890381999875399922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/08/declaracao-pela-libertacao-feminina-dos.html' title='Declaração pela Libertação Feminina dos Trabalhos Domésticos.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-5854506617602820611</id><published>2011-07-17T13:17:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T15:57:15.615-07:00</updated><title type='text'>O que fazer com as cracolândias?</title><content type='html'>por: Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;psicanalista&lt;br /&gt;trabalhadora da rede de saúde mental do SUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responder a esta questão tem sido um desafio. E as respostas, em geral, têm se sustentado num discurso meramente higienista, cuja pretensão é, simplesmente, limpar certos locais do que a sociedade atual enxerga como lixo: certos usuários de droga, especialmente os de crack.  A decisão de vários municípios, seja por intermédio da justiça ou por mera intervenção do poder público, tem sido a de promover a retirada das pessoas desses lugares sob as mais diversas alegações: de que estão infringindo a lei, perturbando a ordem pública ou de que precisam ser deslocadas para locais de assistência e tratamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos, no entanto, que a maior parte das intervenções feitas até o momento, apesar de muitas vezes travestidas dos mais dignos e decentes atos "humanos" e "cristãos", na verdade, só cumprem a função de limpar nossas cidades daquilo que a "sociedade de bem" não deseja ver; daquilo que lhe parece incômodo, inútil e sem valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é a primeira vez que esse tipo de estratégia é utilizada. Num passado não muito distante, que coincide com o início da era capitalista, loucos, bêbados, mendigos, aleijados, e todos aqueles que não serviam para movimentar a roda do sistema capitalista, que não podiam vender sua força de trabalho, foram recolhidos das ruas e encarcerados no Hospital Geral; instituição criada para esse fim. A ordem era sanear as cidades. Não estaríamos propondo a mesma coisa para as cracolândias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma outra pergunta desafiadora que talvez seja mais interessante que a que intitula este artigo, capaz de produzir respostas mais potentes para o fenômeno das cracolândias. Foi um amigo que me presenteou com esta reflexão: Porque exitem cracolândias? Porque não ouvimos falar de maconholândias, cocainolândias ou ecstasyitolândias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma pergunta realmente intrigante que me fez pensar, dentre outras coisas, sobre o lugar social que o crack vem ocupando no Brasil. Apesar de sabermos que o uso do crack está presente nas diversas classes sociais, é no abandono social e nas ruas que ele tem mostrado sua face mais perversa. Não há justificativa para defendermos a tese de que as cracolândias são formadas apenas pelo poder devastador e desagregador da química do crack, com se o crack fosse o único responsável pelas cracolândias. É muito mais realista pensar que um certo tipo de população já excluída pela sociedade, seja pela miséria, pelo abandono, pelo alcoolismo ou pela dependência de outras drogas, fez do crack "a sua droga", numa tentativa de remediar o próprio sofrimento, e para isso precisaram criar um lugar delimitado na pólis. As cracolândias, na verdade, são frutos de políticas preconceituosas, excludentes, moralistas e da tão anunciada "guerra contra as drogas". Enquanto continuarmos em "guerra contra as drogas", as cracolândias funcionarão como um território de refugiados, como um gueto para os excluídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de Slavo Zizek a seguinte afirmação: "É bem verdade que vivemos numa sociedade de escolhas arriscadas, mas apenas alguns têm a escolha, enquanto outros ficam com o risco". Na questão do uso de drogas isso fica muito claro. Apenas a "sociedade de bem" fica com as escolhas, mesmo que porventura arriscadas. Ela pode escolher entre vodka ou cerveja, se vai tomar remédios para dormir ou para se livrar do pânico cotidiano, se sua balada vai ser movida a "doce" ou "bala". Mas os frequentadores das cracolândias ou os que estão caminhando para ela, são exatamente os que perderam suas possibilidades de escolha e ficaram apenas com o risco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dessa realidade, o único caminho sensato para se pensar as cracolândias seria no sentido de reduzir os riscos que seus frequentadores enfrentam e possibilitar-lhes escolhas, sem esquecer que oferecer-lhes escolhas não é escolher por eles. Entretanto, sabemos que em muitos casos, a degradação subjetiva pode ter lhes prejudicado severamente a capacidade de fazer escolhas. Podemos, nesses casos, criar estratégias que nos possibilitem escolher com eles, mas jamais à revelia deles, como se tem feito. Também não devemos ofertar a essas pessoas apenas dois caminhos possíveis: com drogas ou sem drogas. É fundamental também considerar possibilidades que incluam viver - com dignidade, com todas as suas potencialidades e contradições - apesar das drogas. E sem nenhuma hipocrisia, tal como faz a maioria de nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-5854506617602820611?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/5854506617602820611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=5854506617602820611' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5854506617602820611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5854506617602820611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/07/o-que-fazer-com-as-cracolandias.html' title='O que fazer com as cracolândias?'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-7450514343208590143</id><published>2011-06-05T17:25:00.000-07:00</published><updated>2011-06-05T17:32:43.771-07:00</updated><title type='text'>Satisfação Garantida</title><content type='html'>por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zapeando com o controle da TV, passei por um canal no qual um garoto propaganda apresentava seu produto e fazia a seguinte afirmação: “- Garantimos sua satisfação”. Num primeiro momento, achei graça da pretensão do fabricante do produto ou do idealizador da propaganda em garantir a satisfação do cliente, mas depois fiquei pensando que o ideal dessa nossa sociedade de consumo é mesmo esse: &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt;. Nosso projeto de consumo é adquirir objetos, saberes ou bens que nos completem; que nos satisfaçam plenamente.&lt;br /&gt;A economia marxiana se baseia na teoria da &lt;i&gt;mais-valia&lt;/i&gt;, que diz mais ou menos o seguinte: No sistema capitalista, o trabalhador vende sua força de trabalho para o capitalista, entretanto, existe um quanto de trabalho que jamais será remunerado, ou seja, a força de trabalho despedida pelo trabalhador nunca será totalmente paga por meio do seu salário; a isso Marx chamou de &lt;i&gt;mais-valia&lt;/i&gt; (o que ficará para sempre impagável). Estender o conceito de mais-valia na economia de nossas relações com as pessoas ou com os objetos-mercadoria é compreender que a tal&lt;i&gt; satisfação garantida&lt;/i&gt; é algo que não se pode prometer. &lt;br /&gt;Freud também dizia algo semelhante em sua teoria psicológica. Nesse caso, utilizou o conceito de &lt;i&gt;impossibilidade&lt;/i&gt; para traduzir a economia das relações humanas. Freud afirmou certa vez que educar, governar, psicanalisar são tarefas impossíveis. O que ele quis dizer com essa afirmação é que mesmo com todos os nossos esforços e tentativas de obter pleno sucesso, ou &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; nessas tarefas, ainda sim, haverá algo que nunca ficará plenamente satisfeito; que é ineducável, ingovernável ou inanalisável.&lt;br /&gt;Tanto Marx quanto Freud nos avisavam que essa idéia de &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; é um engodo. A sociedade de consumo, no entanto tenta nos vender, a todo tempo, esse engano; de que a &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; pode ser comprada e tem um preço e se ainda não a conquistamos é, tão somente, porque ainda não pudemos pagar por ela.&lt;br /&gt;Assim, seguimos nesse ideal da sociedade de consumo, almejando-o em todos os campos. Exigimos &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; nas nossas relações familiares, amorosas, e sociais. Exigimos &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; em nosso trabalho e na nossa vida escolar ou de nossos filhos. Esperamos &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; até mesmo em situações de doença, separação e perda, ainda que a tal garantia de satisfação signifique assegurar alguma indenização em espécie. Seguimos acreditando que não há nada que não possa ser remendado, reparado, medicalizado, solucionado ou curado. Perdemos cada vez mais a capacidade de lidar com nossas insatisfações; tanto as pequenas e quanto as grandes. &lt;br /&gt;Depois nos queixamos da incapacidade de nossas crianças e jovens em lidar com frustrações e fracassos. Estranhamos porque são violentos e impulsivos quando recebem um não. Não percebemos o quanto prometemos a eles um mundo de &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt;, ou seja, que não os educamos para lidarem com seus fracassos e limitações, com as impossibilidades nossas de cada dia. &lt;br /&gt;E ainda nos perguntamos: porque o uso de drogas se tornou tão problemático atualmente? Se em décadas anteriores tal comportamento tinha uma conotação revolucionária, de crítica social, hoje se tornou basicamente, um modo de responder a esse imperativo que nos governa. O uso de drogas dos nossos tempos, não é um ato rebelde, de busca de novas experiências ou transcendência psíquica, mas principalmente, uma busca desenfreada por &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt;, transformando tal comportamento, não por acaso, num dos mais bem adaptados à sociedade de consumo. As drogas de hoje prometem:&lt;i&gt; satisfação garantida&lt;/i&gt; e, além de tudo, &lt;i&gt;imediata&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;Mas porque será então que nunca estivemos tão insatisfeitos? Porque a promessa de &lt;i&gt;satisfação garantida&lt;/i&gt; carrega consigo um paradoxo. Como se imagina que ela pode ser alcançada, o que é um engano, ficamos sempre com essa sensação de insatisfação, numa busca frenética por mais e mais. Consumir cada vez mais, objetos, bens, drogas ou saberes, na busca do tão sonhado ideal que garantiria plenamente nossa satisfação&lt;br /&gt;Proponho que inauguremos uma nova ética, que eu chamaria de ética da &lt;i&gt;satisfação contingente&lt;/i&gt;. Entenderíamos com essa nova ética que qualquer satisfação nunca poderá ser plenamente garantida, o que não quer dizer que ela não possa ser perseguida ou desejada, mas dessa vez com a consciência de que sempre será contingente, ou seja, duvidosa, eventual e incerta. Compreender que toda satisfação é apenas contingente, nos libertaria do mundo idealizado que perseguimos e abriria nossos olhos para aquelas satisfações que geralmente não nos contentam - imperfeitas, fugazes, às vezes estranhas – mas, dessa vez, repletas do mundo real, de possibilidades reais e, sobretudo, de pessoas reais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-7450514343208590143?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/7450514343208590143/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=7450514343208590143' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7450514343208590143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7450514343208590143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/06/satisfacao-garantida.html' title='Satisfação Garantida'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6312308280775559897</id><published>2011-04-27T17:48:00.000-07:00</published><updated>2011-04-27T17:48:22.368-07:00</updated><title type='text'>Bullying e judicialização das relações pessoais</title><content type='html'>por Rita de Cássia de A Almeida &lt;br /&gt;psicanalista &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Bullying&lt;/i&gt; é o tema do momento. A palavra é inglesa e originária da palavra &lt;i&gt;bully&lt;/i&gt; cuja tradução é valentão. Naturalmente que &lt;i&gt;valentões&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;valentonas&lt;/i&gt; sempre existiram. E acredito que todos nós pelo menos em algum momento na vida fomos vítimas de algum valentão e/ou já nos comportamos como um. Mas porque será que o bullying se tornou um problema com tanto destaque nos últimos tempos, a ponto de parecer que ele só surgiu recentemente? Não tenho respostas formuladas para esta questão, mas acredito que haja um &lt;i&gt;caldeirão favorável&lt;/i&gt; que faz com que o &lt;i&gt;bullying&lt;/i&gt; esteja tão em voga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud dizia que a fonte de maior sofrimento para nós é resultante de nossas relações com os outros já que, inevitavelmente e invariavelmente elas produzem alguma espécie de fracasso ou mal-estar. Vivemos, no entanto, numa era onde fracassos e mal-estares são completamente abominados. Então, se não há espaço para os mal-entendidos tudo precisa ficar sempre bem-entendido e, uma das formas que encontramos para aplacar os mal-entendidos da atualidade tem sido convocar rotineiramente o discurso judiciário para mediar nossas relações. A isso chamamos &lt;i&gt;judicialização das relações pessoai&lt;/i&gt;s. Mas, o perigo de sempre recorrer a este tipo de discurso para solucionar nossos problemas interpessoais é o de nos colocarmos sempre em lugares estanques e cristalizados; ou somos as vítimas ou somos seus algozes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permeado por um discurso fortemente judicializado torna-se preocupante a maneira como tem sido tratada a questão do que aprendemos a chamar de &lt;i&gt;bullying&lt;/i&gt;. A exploração do tema tem se ocupado em dar voz a um exército infindável de pessoas que afirmam sofrerem ou terem sofrido esta forma de violência e que não se cansam de reafirmarem o lugar que foi definido para elas; o de vítimas. Os algozes por sua vez são os &lt;i&gt;demônios&lt;/i&gt; do momento, execrados em suas condutas violentas e opressoras, mas que, afinal, apenas reproduzem as relações de poder que nossa sociedade semeia e reforça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um filho adolescente. Certa vez, quando ele contava com uns 8 anos de idade, me relatou que havia um garoto em sua sala que o intimidava constantemente, com palavras e pequenas agressões. A meu pedido, ele me apontou o garoto na saída da escola que, como eu já suspeitava, tinha o dobro seu do tamanho. Me lembro que na hora em que vi o garoto, tive ímpetos de abordá-lo e tirar satisfações ou procurar os pais dele ou ainda me reportar à direção da escola. Ao contrário do que a grande maioria das pessoas pensa, mães psicólogas ou psicanalistas não pautam suas intervenções em teorias e fórmulas científicas. Educam como a maioria dos pais, baseados em seus saberes inconscientes, ou seja, saberes não teorizáveis e que foram adquiridos ao longo da vida. Sendo assim, com meu coração apertado e sem saber se estava tomando a melhor decisão, apenas disse ao meu filho algo mais ou menos assim: – Sei que este garoto tem o dobro do seu tamanho e sei que você está com medo dele, eu também teria se estivesse no seu lugar, mas também sei que você é muito mais inteligente que ele e vai saber resolver este problema. Passaram-se os dias e meu filho não se queixou mais do valentão. Certo dia, perguntei a ele se o garoto ainda o importunava e ele me disse: - Tudo bem, mãe. Eu já resolvi. Agora somos amigos. Perguntei como isso tinha acontecido e ele me disse com simplicidade: - Eu perguntei se ele queria ser meu amigo e ele aceitou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que ao fazer esta intervenção com meu filho eu jamais poderia imaginar o seu desdobramento, ainda mais um tão inusitado. Minha fantasia de solução transitava entre o final do filme Karatê-kid (onde o menino franzino finalmente dá uma surra no valentão) e uma revolução coletiva dos &lt;i&gt;magrelos&lt;/i&gt; contra os &lt;i&gt;fortões&lt;/i&gt;, liderada pelo meu filho, é claro. Hoje eu sei que a maneira que ele encontrou para resolver sua diferença com o &lt;i&gt;valentão&lt;/i&gt; da sala foi invenção dele, mas também sei que ela só pôde acontecer porque eu, mesmo sem saber, permiti com minha maneira de intervir, que ele deixasse de ser apenas uma vítima dessa cena para também protagonizá-la. Se eu tivesse abordado o tal &lt;i&gt;valentão&lt;/i&gt;, por exemplo, poderia até conseguir que ele deixasse de ser o algoz do meu filho, mas este jamais deixaria de ser a vítima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o problema das intervenções baseadas no discurso judicializado, elas apenas reforçam os papéis que já foram estabelecidos, sendo assim, as mudanças só ocorrem numa provável inversão de posições – como aconteceu no caso de Casey Haynes o menino gordinho que se tornou febre na internet depois de cansar de ser &lt;i&gt;saco de pancadas&lt;/i&gt; e revidar em seu agressor – o que não modifica em nada o produto da relação, neste caso, violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pretendo de maneira nenhuma fazer deste relato uma receita para lidar com o &lt;i&gt;bullying&lt;/i&gt;, pois, não acredito em receitas para educar e muito menos em receitas para resolver nossos mal-estares quotidianos. Mas, creio que devemos evitar intervenções que sirvam apenas para cristalizar e reforçar as pessoas em determinados lugares, dando a falsa impressão de que estamos tratando do problema. Sendo assim, coibir e punir os agressores pode até inibi-los em determinadas situações, mas não os fará questionar suas atitudes e sua posição perante o outro. Da mesma maneira, ter piedade e proteger as vítimas, não as fará experimentar posições subjetivas mais potentes e proativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filho me ensinou muito em nossa experiência com o tal &lt;i&gt;bullying&lt;/i&gt;, que na época nem tinha esse nome. Aprendi que muito além de agressores e agredidos, de vítimas e algozes, esta forma de mal-estar pode produzir algo muito mais interessante e positivo: amigos. E porque não? Sem esquecer que mesmo os amigos às vezes se desentendem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6312308280775559897?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6312308280775559897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6312308280775559897' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6312308280775559897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6312308280775559897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/04/bullying-e-judicializacao-das-relacoes.html' title='Bullying e judicialização das relações pessoais'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-2250537667267123653</id><published>2011-04-21T14:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T09:15:12.415-07:00</updated><title type='text'>“O SUS que não se vê”</title><content type='html'>por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trabalhadora e usuária do SUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este mês a Revista Radis da Fiocruz publicou excelente matéria intitulada: “O SUS que não se vê” que trata de mostrar o real tamanho e abrangência do Sistema Único de Saúde. O ensaio se baseia em dados colhidos por pesquisa do IPEA, publicados em fevereiro. Segundo tais dados cerca de 34% da população afirma nunca ter utilizado o SUS e também revelam um dado curioso: o sistema de saúde brasileiro é mais bem avaliado por aqueles que costumam utilizá-lo. Partindo de tais dados a publicação propõe algumas discussões interessantes que desmistificam equívocos e preconceitos relacionados à idéia que a maioria de nós faz do nosso sistema público de saúde. &lt;br /&gt;O primeiro, e possivelmente o maior equívoco deles, é acreditar ser possível que algum brasileiro não seja usuário do SUS. O sistema faz parte do dia a dia de todos nós, mesmo que, às vezes, de maneira invisível. Utilizamos o SUS ao almoçarmos em um restaurante e ao adquirimos produtos alimentícios e medicamentos, por exemplo, pois todas as ações de vigilância sanitária são atribuições do SUS. As campanhas de vacinação para controle e erradicação de doenças, propagandas e campanhas educativas para prevenção de doenças e agravos à saúde, pesquisa e produção de medicamentos e terapêuticas, além de acesso a tratamentos de alta complexidade, especialmente aqueles que não interessam ao sistema privado, são algumas das ações do SUS que a maioria desconhece. Sendo assim, ao contrário do que se imagina, o SUS não se limita aos atendimentos oferecidos nos postos de saúde ou hospitais públicos, sua abrangência é de tal proporção que é impossível que algum brasileiro possa dizer que nunca tenha utilizado o sistema. &lt;br /&gt;Quando discute o nível de satisfação dos brasileiros com o SUS a pesquisa é ainda mais reveladora: o índice de satisfação do brasileiro é maior entre os que se dizem usuários do sistema, enquanto que o percentual dos que o consideram ruim ou muito ruim é maior entre os que afirmam não fazerem uso dele. Partindo desta constatação a matéria abre uma discussão importante sobre a influência da mídia na opinião da população a respeito do SUS. A revista denuncia uma “má vontade” da grande imprensa para com o SUS, na medida em que se interessa preferencialmente por relatos e imagens de pessoas afetadas pelas falhas do sistema, ao mesmo tempo em que não atribui ao mesmo as ações que dão certo e os indicadores positivos resultantes de tais ações. &lt;br /&gt;O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, invejado por outros países como os EUA, por exemplo. Tem um programa de imunização de doenças que é um sucesso, sendo o responsável pela erradicação de várias delas. O impacto do SUS na redução da mortalidade infantil é indiscutível. O Brasil tem um sistema de tratamento e prevenção de HIV/aids exemplar e é o sistema público que mais faz transplantes e hemodiálises no mundo todo, incluindo a manutenção de uma rede de doadores com excelência em tecnologia. Grande parte das intervenções de alta complexidade, especialmente aquelas que não são de interesse do sistema privado, por serem muito dispendiosas, ficam a cargo do SUS. A Farmácia Popular não beneficia apenas os que têm acesso à medicação gratuita, ao impulsionar a expansão do mercado, promove também a queda dos preços para os demais consumidores. Essas são algumas das informações positivas a respeito do SUS que são pouco divulgadas na mídia, ou quando são divulgadas não são atribuídas como ações do SUS. &lt;br /&gt;A matéria defende que essa propaganda negativa do SUS se deve, em parte, por uma orientação ideológica neoliberal, cujo interesse é sustentar o discurso de que o público não funciona. Seduzida por tal discurso a classe média vem cada vez mais procurando pelos planos de saúde, acreditando que desta maneira não precisará utilizar o SUS e reforçando uma idéia que precisa perder força: a de que “o SUS é para os pobres”. &lt;br /&gt;Sabe-se, no entanto, que a cobertura dos planos de saúde se dedica basicamente a consultas e exames ou tratamentos de baixo custo, ou seja, aqueles procedimentos que trazem mais lucros para as seguradoras. Os demais, por necessitarem de maior abrangência ou complexidade, e que obviamente os planos não cobrem por serem muito caros, ficam a cargo do SUS. Para se ter uma idéia, segundo o Ministério da Saúde, há uma estimativa de que cerca de 20% dos usuários de planos de saúde se utilizam dos serviços hospitalares do SUS, o que equivale a um custo que pode chegar a 1 bilhão por ano, custo que não é ressarcido ao SUS pelas seguradoras.&lt;br /&gt;A idealização do SUS tem raízes numa concepção de saúde integral, solidária, humanitária, democrática e que não seja objeto das leis do mercado. Esse diferencial já seria suficiente para defendermos o SUS como patrimônio nacional, estabelecendo com ele uma noção maior de pertencimento e agregando-lhe o valor que realmente merece. Entender que “o SUS é nosso” se faz fundamental para militarmos em sua defesa, a fim de lhe garantir financiamento adequado e melhoria na qualidade de seus serviços e ações. Por isso, se lhe perguntarem se você é usuário do SUS não se envergonhe em dizer que sim. O Brasil agradece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-2250537667267123653?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/2250537667267123653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=2250537667267123653' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2250537667267123653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2250537667267123653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/04/o-sus-que-nao-se-ve.html' title='“O SUS que não se vê”'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-7399882242397857403</id><published>2011-03-21T06:24:00.001-07:00</published><updated>2011-04-30T18:44:55.593-07:00</updated><title type='text'>“Yes, we can”.</title><content type='html'>por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;psicanalista e cidadã do mundo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Yes, we can”. Este foi o lema da campanha presidencial de Barack Obama em 2009. A intenção era obvia: transmitir uma mensagem de esperança e motivação endereçada ao povo americano, mas, também não deixou de ser um recado ao mundo, uma forma de reafirmar o poderio americano depois de uma década de desgastes e crises . &lt;br /&gt;Obviamente que esse lema carrega o brio e a capacidade de superação do povo americano, qualidades capazes de fortalecer e enobrecer qualquer país do mundo, e das quais ninguém duvida. E mesmo com todos os abalos políticos e econômicos sofridos nos últimos anos, os EUA ainda se mantêm como a nação mais poderosa do mundo.   Enfim, todos sabemos do que podem os EUA. Entretanto, o que esperávamos com o final da Era Bush é que os Estados Unidos começassem a entender algo a respeito do que eles não podem. &lt;br /&gt;Primeiramente os EUA não podem continuar acreditando, defendendo e se baseando na idéia de que o que é bom para eles é bom para outros povos ou para o mundo. Tal premissa, preconceituosa, etnocêntrica e prepotente, lamentavelmente reafirmada por Obama, impede que os Estados Unidos entendam que não podem tratar os demais países como meros coadjuvantes de uma cena onde eles são a personagem principal.&lt;br /&gt;Os EUA não podem manter medidas protecionistas que resguardam seus produtos e provocam concorrência desleal no mercado mundial, prejudicando os demais países. &lt;br /&gt;Os EUA não podem simplesmente desconsiderar ou desrespeitar os protocolos internacionais assinados para tentar reduzir a poluição e a devastação do meio ambiente, apenas para preservarem sua própria economia.&lt;br /&gt;Os EUA não podem manter embargos econômicos, com o de Cuba, por exemplo, sob a justificativa de não concordarem com esta ou aquela concepção ou diretriz política e econômica.&lt;br /&gt;Os EUA não podem desrespeitar a soberania de países independentes sob quaisquer alegações, não podem tratá-los como se fossem o quintal de sua própria casa.&lt;br /&gt;Os EUA não podem mais defender e sustentar a idéia de que é possível resolver divergências ou impasses na política mundial por meio de intervenções militares. Não podem promover e sustentar guerras, especialmente sob a falsa alegação de que são em nome da liberdade, da democracia ou da paz.&lt;br /&gt;Todos sabemos que os EUA e o povo americano podem muito, mas estamos especialmente interessados  que eles compreendam que, ainda sim, não podem muitas coisas. &lt;br /&gt;A vitória de Obama representava para o mundo a derrocada do conservadorismo de direita de Bush e o fim de uma política externa carregada e intolerância política e religiosa,arrogância e violência. Obama é, sem dúvida alguma, bem mais simpático e carismárico que Bush e tem um discurso bem mais ameno, entretanto, na prática,infelizmente, ele não tem feito muito diferente de seu antecessor.  Continua preso à sua máxima de campanha que diz que sim, os americanos podem,  esquecendo-se de considerar que os outros povos também podem: os libios podem, os palestinos podem, os mexicanos, os brasileiros, os cubanos,os iranianos, os russos e os coreanos também podem.  Esperávamos que com Obama, os EUA deixassem de lado a idéia de que o mundo gira em torno deles, mas, parece que ainda não foi desta vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-7399882242397857403?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/7399882242397857403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=7399882242397857403' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7399882242397857403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7399882242397857403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/03/yes-we-can.html' title='“Yes, we can”.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6292499476025767517</id><published>2011-02-15T03:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-15T03:48:18.042-08:00</updated><title type='text'>O adeus de Ronaldo.</title><content type='html'>por: Rita de Cássia de A Almeida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;psicanalista e fã de Ronaldo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana Ronaldo – o fenômeno – discursou emocionado em entrevista que marcou o encerramento de sua brilhante carreira como jogador de futebol. Ao tentar explicar o inexplicável e o inevitável fato de ter que “pendurar as chuteiras” aos 34 anos, Ronaldo afirmou: “Meu corpo me venceu”. Dentre as muitas coisas interessantes e bonitas ditas por Ronaldo na ocasião desta entrevista, esta frase é particularmente arrebatadora. Afinal, é certo que corpo sempre nos vence; a todos nós. O corpo é o nosso limite. &lt;br /&gt;Apesar disso, insistimos em viver a ilusão do corpo sem limites. Desejamos um corpo saudável, perfeito e, sobretudo, eterno. Por isso rejeitamos a dor, o sofrimento, as marcas da idade e quaisquer imperfeições ou fracassos que nos levem a constatar a mais pura das verdades: somos todos limitados. O corpo venceu Ronaldo e, em última análise sempre vence a todos nós. Não somos tão saudáveis quanto poderíamos e nem tão belos quanto desejaríamos. Padecemos de dores e imperfeições. Invariavelmente fracassamos. Envelhecemos, morremos. Ou seja, por mais que busquemos alargar o limite da nossa invencibilidade, ainda sim o corpo sempre nos vence. &lt;br /&gt;Certamente, esta é uma constatação angustiante para a grande maioria nós ou mesmo insuportável para alguns. O discurso emocionado de Ronaldo é testemunha disso. Do quanto pode ser sofrido admitir e assumir fracassos, tanto aqueles impostos por nosso corpo, quanto quaisquer outros. Mas, por outro lado, somente aqueles que conseguem chegar ao ponto de assumir seus próprios limites e fracassos serão capazes de atravessá-los para alcançar a outra margem. &lt;br /&gt;A Mitologia Grega descreve seus grandes heróis como aqueles que conseguiram atravessar os sofrimentos, provações e limitações impostas pela condição humana, para se transformarem. Mas, lembramos que atravessar limites não é o mesmo que evitá-los ou desconsiderá-los. Atravessar não é driblar ou mascarar. Atravessar também não é se tornar vítima de seus limites. Atravessar é constatar que o limite existe, encará-lo e prosseguir; com ele e apesar dele. &lt;br /&gt;Quem escutou toda a entrevista de Ronaldo teve a oportunidade de assistir o belo testemunho de uma autêntica travessia. Em certo momento ele afirma que o que está fazendo é o anuncio de sua primeira morte, para logo em seguida dizer: “ainda quero muito”. Isso sim é atravessar um limite. É ter vontade e força para prosseguir mesmo depois de aceitá-lo. &lt;br /&gt;Infelizmente, temos optado por uma vida anestesiada, medicalizada, vitimizada, “botoxizada”, turbinada, homogeneizada, sem sobressaltos ou riscos e, de preferência, livre de imperfeições e fracassos. A pílula azul que promete dar adeus ao fantasma do fracasso sexual, talvez seja o retrato da maneira como estamos lidando com nossos mal-estares. E assim seguimos, escolhendo negar nossos limites e com eles jogando fora a oportunidade de fazer a travessia própria da condição humana; limitada e imperfeita, mas ainda sim, bela e vitoriosa. &lt;br /&gt;Obrigada, Ronaldo. Pelos dribles, pelos gols, pelas vitórias e especialmente, por nos revelar o que uma vida precisa pra valer a pena: “Tive muitas derrotas, infinitas vitórias e fiz muitos amigos”. Quem precisa mais que isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6292499476025767517?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6292499476025767517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6292499476025767517' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6292499476025767517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6292499476025767517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2011/02/o-adeus-de-ronaldo.html' title='O adeus de Ronaldo.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-4181221106945248789</id><published>2010-12-22T06:59:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T07:03:38.861-08:00</updated><title type='text'>Mosaico</title><content type='html'>Rita de Cássia de Araújo Almeida   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pela primeira vez estou publicando em meu blog um artigo com pretenções literárias. Ele foi publicado recentemente pela revista TRAVESSIAS e pode ser acessado também no link abaixo: http://www.unioeste.br/travessias/literaria/Rita%20PRONTO.pdf&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornar-se mulher não é uma tarefa fácil. Trata-se de  ficar aqui e ali remendando uns cacos que vamos recolhendo vida a fora, na tentativa de montar uma espécie de mosaico que,afinal, nos pareça belo e compreensível – o que é sempre difícil.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns  desses  cacos  por  mim  recolhidos  vêm  de  uma  história  que  meu  pai  sempre contava, segundo ele, acontecida quando ainda era menino na roça, história também contada pelo seu pai. Eu, desde menina adorava essa, dentre todas as histórias que meu pai costumava contar nos almoços de domingo. Mesmo repetidamente contada era encantadoramente trágica e  cômica,  e  eu  de  tanto  escuta-la,  já  sabia  exatamente  o  momento  de  rir  e  me  comover, entretanto, só pude compreendê-la com o passar do tempo na medida em que minha inocência foi se encolhendo. Na tarefa de me tornar mulher, essa história foi me cedendo seus cacos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas palavras de meu pai tratava-se da história de dois compadres: seu Antônio e seu Joaquim;  ambos  casados.  Seu  Antônio,  com  Filomena  –  mulata  ancuda,  de  beiço  gordo  e  dentes de marfim – e seu Joaquim, com Madalena – descolorida, cabisbaixa e mãos calejadas da labuta na terra. Nenhum dos casais tinha filhos, apesar de já passarem dos trinta, idade em que a maioria, naquelas condições, já acumulava ao menos quatro rebentos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa  vez,  os  dois  compadres,  muito  amigos,  dividiam  como  de  costume  a  mesa  do único boteco da região, tomando uns goles para encerrar o dia. Era um dia normal de trabalho cansativo na lavoura – o corpo doía muito e a cabeça pensava pouco. Ambos acenderam seu pito e olhavam tranqüilos a fumaça ganhando a noite que chegava devagar, sentindo a bebida esquentando  o  bucho  quase  vazio.  Depois  de  algum  tempo,  quando  o  juízo  e  o  pudor  se afogaram no copo de cachaça, seu Joaquim fez ao amigo uma proposta meio extraviada, que já matutava  há  algum  tempo,  mas  ainda  não  reunira  coragem  e  falta  de  vergonha  para  fazê-la.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou numa forma de expor seu intento sem causar muito alarde, mas afinal compreendeu que não haveria uma forma amena de falar o que pretendia, era mesmo no supetão, com o risco de perder o amigo. E foi assim num supetão, entre o primeiro e o último gole da meiota, que  seu  Joaquim  atirou  à  queima  roupa,  perguntando  se  era  do  interesse  do  amigo  que trocassem de mulher. Seu Antônio se assustou de início, ajeitou as calças, raspou a garganta, ficou desinquieto, encheu mais um copo, depois fez certo silêncio, levantou as sobrancelhas por  três  vezes  e  enfim  deu  seu  veredicto:  topou a  barganha,  mas  com  a condição  de  que  o compadre lhe desse em troca sua mula e o facão que sempre carregava na cintura. Seu Joaquim fez  menção  em  esquecer  o  negócio,  mas  foi  então  que  se  lembrou  das  ancas  da  mulata  e estendeu a mão ao amigo, selando o trato desabençoado.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar, dia e hora combinados cada qual apareceu com sua mulher, sendo que seu Joaquim trouxe também a mula e o facão. As mulheres sem  saber de nada ainda, escutaram  dos maridos a revelação do destino que dali pra frente haviam de se submeter. Nenhuma delas ousou retrucar, se olharam num misto de desespero e vergonha, e se limitaram a acompanhar seus novos homens, no caminho que escolheram para elas. Todos se despediram com alguma estranheza, e rumaram para seus lares de adultério consentido.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Joaquim inebriado pelas ancas da mulata, só despertou ao perceber que Filomena, naquele mesmo dia, havia deixado sua casa sem levar nada e sem deixar nada, pois que nada ali era dela. Esse ainda correu para a casa do amigo, pensando que ela tivesse voltado pra lá, mas não teve sorte, a mulata sumiu no mundo e para sempre.  Apesar do desgosto, seu Joaquim manteve o trato, era homem de palavra. E este foi o único orgulho que lhe acompanhou dali para adiante; até o final. De resto, a solidão e a humilhação tomaram conta de seu coração de maneira  galopante.  Perdeu  as  duas  mulheres,  a  mula,  seu  precioso  facão  e  ainda  teve  de conviver com a certeza que a secura de sua antiga mulher era por culpa sua, já que, em poucos meses Madalena estava com o bucho cheio, emprenhada pelo compadre Antônio. Este último, por sua vez, fez um excelente negócio: ganhou uma mulher trabalhadeira – que deu a ele três filhos –, uma boa mula – que lhe rendeu muitas léguas de caminhada – e o facão – que ficava  &lt;br /&gt;pregado na parede da sala de reboco de barro, como um troféu, a despeito de sua empreitada vitoriosa.  É  verdade  que  de  quando  em  vez,  seu  Antônio  se  entristecia  vendo  o  compadre  Joaquim  se  entregando  a  bebida  e  aos  fins  de  tarde  sem  esperança,  mas  logo  lhe  vinha  o conforto de saber que tal idéia, não havia saído de sua cachola.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  dizia  que  esta  história,  me  fez  encontrar  algumas  respostas,  sobre  o  que  é  ser mulher...  Papai  me  contava  esta  história,  é  claro,  pela  ótica  dos  homens  nas  suas  disputas infindáveis, mas eu tentava vê-la pelo olhar daquelas duas mulheres. Uma, que simplesmente se submete ao destino que lhe é imposto pelos homens e outra, que deixa tudo para traz e sai em busca de seu próprio caminho. Eu sempre ficava tentando imaginar qual delas teria sido mais feliz, mas sempre era difícil tentar chegar a uma conclusão, conclusão esta que me faria decidir: Madalena ou Filomena?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi essa a questão que me torturou durante muito tempo. Desejaria me apegar ou me libertar? Ficar ou partir? Pensava eu que decidir por um caminho era abolir o outro. Qual nada! Hoje  sei  que  posso  escolher  as  duas.  Foi  assim  que  preferi  Madalena  e  Filomena,  duas mulheres maravilhosas que me ensinaram o enredo do feminino. Às vezes recorro a Madalena, que me ensina a me resignar para criar meus filhos e amar meu homem, outras vezes, Filomena me socorre não me deixando morrer sufocada, iluminando  o caminho que apenas eu posso percorrer, sozinha.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena e Filomena, Filomena e Madalena. Ser mulher é assim: pura plasticidade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-4181221106945248789?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/4181221106945248789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=4181221106945248789' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4181221106945248789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4181221106945248789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2010/12/mosaico.html' title='Mosaico'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-4973125391381963546</id><published>2010-10-22T14:58:00.001-07:00</published><updated>2010-10-24T15:26:33.761-07:00</updated><title type='text'>O JN, o durex e a tomografia.</title><content type='html'>Por Rita de Cássia A. Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O JN já foi palco de inúmeras ‘babaquices’, especialmente quando a intenção era privilegiar candidatos e partidos políticos de sua preferência, mas essa semana o programa se superou ao tentar provar que o que atingiu o candidato Serra numa caminhada de campanha não foi uma inocente bolinha de papel, mas um perigosíssimo rolo de durex. Repetindo o mantra do nosso presidente, nunca na história deste país eu assisti a tamanha bizarrice em um telejornal. Foi no mínimo lamentável, para não utilizar outros adjetivos impublicáveis. O JN pareceu, na verdade, uma continuação do programa eleitoral de Serra, ao tentar de toda maneira justificar o fato do referido candidato ter cancelado todos os seus compromissos de campanha do dia e de se submeter a uma tomografia computadorizada para avaliar os danos prováveis causados por uma bolinha de papel calibre A4 ou um rolo de durex de calibre incerto. Mais lamentável ainda é o fato da grande mídia brasileira chamar esse tipo de reportagem de garantia à liberdade de imprensa. Liberdade é claro desde que seja para defender seus interesses políticos, corporativos e econômicos. Liberdade para dar destaque para as notícias que lhe interessam e ocultar outras que consideram menos importantes. Liberdade para publicar inverdades e criar factóides, que tomam uma importância que jamais deveriam tomar. Liberdade para transformar uma disputa presidencial numa discussão rasteira e perversa sobre quem é ou não a favor do aborto, por exemplo, mesmo sabendo que legalizar ou não o aborto não é mérito do Presidente da Republica, mas sim de legislações sujeitas a discussão entre deputados e senadores e participação ampla da sociedade.&lt;br /&gt;Mas a firula plantada e excessivamente valorizada pela direção de campanha de Serra e a peripécia jornalística do casal Bonner reforçando o evento, não contavam com a potência subversiva da internet. Enquanto a TV é capaz de direcionar nossos olhos e ouvidos decidindo por nós o que é a verdade, a internet nos oferece inúmeras verdades possíveis, nos possibilitando escolher. &lt;br /&gt;Quem não ficou somente com a versão da Globo, ouviu o presidente Lula, em mais uma de suas brilhantes tiradas, comparar o Serra com o goleiro Roberto Rojas, que simulou ter sido atingido por um rojão num jogo do Brasil contra o Chile no Maracanã, em 1989, válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1990. Rojas chegou a fazer um corte em sua própria testa para valorizar a farsa. Depois disso a Seleção Chilena foi suspensa por quatro anos e Rojas foi banido do esporte. &lt;br /&gt;Inspirada por esta comparação os ‘twitteiros’ de plantão criaram a tag #serrarojas que chegou ao primeiro lugar em acessos no twitter mundial e varou a madrugada dos últimos dias como tema de discussão, crítica e deboche dos internautas. O comentário que eu mais gostei dizia que o médico de Serra, após o resultado da tal tomografia, sugeriu que ele ficasse em repouso durante os próximos quatro anos. Creio que depois deste vexame, o digníssimo candidato não terá mesmo outra escolha. &lt;br /&gt;O JN, por sua vez, deveria ser processado por agressão violenta à inteligência de seus telespectadores. Contratar um perito pra provar se o ‘projétil’ desferido contra o Serra foi bolinha de papel ou rolo de durex foi realmente ridículo. Pra finalizar, vou repetir um dos comentários postados no twitter: ‘Acabei de assistir o JN e minha inteligência foi agredida violentamente. Vocês me dão licença, mas eu vou fazer uma tomografia pra ver a gravidade da lesão’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 de outubro de 2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-4973125391381963546?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/4973125391381963546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=4973125391381963546' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4973125391381963546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4973125391381963546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2010/10/o-jn-o-durex-e-tomografia.html' title='O JN, o durex e a tomografia.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-1529064168568245800</id><published>2010-10-04T16:57:00.001-07:00</published><updated>2010-10-05T04:42:12.519-07:00</updated><title type='text'>A eleição do palhaço Tiririca</title><content type='html'>por Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;eleitora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fazermos um diagnóstico das eleições do último dia 3 de outubro, talvez o melhor “sintoma” a ser avaliado seja eleição do palhaço Tiririca como Deputado Federal em São Paulo. O fato tem sido lamentado por muitos, especialmente pela classe política, que se sente obviamente, desqualificada e achincalhada, mas, definitivamente, não se pode desprezar um milhão e trezentos mil votos, certamente, eles querem nos dizer alguma coisa.  &lt;br /&gt;É fácil atribuir a eleição de Tiririca a um oportunismo individualista, à suposta ignorância do seu eleitorado ou a um mero deboche das urnas. Também é fácil desqualificar o Deputado eleito, fazendo observações preconceituosas a respeito de sua profissão ou sobre o fato de, supostamente, ser analfabeto. Eu prefiro entender o acontecido como um recado da população à nossa classe política, que quer dizer mais ou menos assim: “Já que a política nacional virou palhaçada, então aí está um palhaço de verdade!” &lt;br /&gt;Assim, espero que na presença de um palhaço de profissão, nossos políticos de profissão entendam que nosso povo não quer mais saber de “circo” e “palhaçada” dentro das Assembléias e do Senado. Espero que se envergonhem de si mesmos e se esforcem por fazer de suas legislaturas motivo de orgulho e respeito para nós brasileiras e brasileiros. Quem sabe a presença de Tiririca denuncie diariamente aos demais eleitos, que política deve ser tratada com seriedade, com seriedade suficiente para deixar qualquer palhaço sem graça.   &lt;br /&gt;Aliado a isso, desejo sinceramente que o Sr. Deputado, Francisco Everardo Oliveira Silva, se sensibilize e se responsabilize pela sua expressiva votação e cumpra sua promessa de campanha. Pra quem não sabe, Tiririca, em sua propaganda eleitoral, assumia não saber o que faz e para que serve um Deputado, mas prometia que quando eleito fosse, diria a todos o que aprendeu sobre sua experiência. Se o ilustre Deputado usar sua legislatura para conscientizar o povo sobre a importância e os deveres éticos de um Deputado e não permitir que seus colegas de legislatura se esqueçam de tal importância e deveres, já terá prestado um enorme serviço a esta nação. &lt;br /&gt;A piada, o chiste são formas interessantes de denunciar e apontar falhas. O que nos faz rir no final de uma piada é a mudança brusca que ela provoca em nosso pensamento, o sobressalto, o engano. Deste modo, não lamento pela eleição de Tiririca, esta piada poderá servir de denuncia para as falhas do nosso sistema político, provocar sobressaltos interessantes. Por outro lado, espero que durante os próximos quatro anos, o palhaço não se sinta em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-1529064168568245800?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/1529064168568245800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=1529064168568245800' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1529064168568245800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1529064168568245800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2010/10/eleicao-do-palhaco-tiririca.html' title='A eleição do palhaço Tiririca'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-7284042509931407081</id><published>2010-07-13T15:55:00.000-07:00</published><updated>2010-07-13T17:05:29.122-07:00</updated><title type='text'>Quando a guerra é a pior estratégia</title><content type='html'>Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;trabalhadora da rede de saúde mental do SUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faz muito tempo que a questão do abuso ou dependência de drogas ilícitas deixou de ser “caso de polícia”, pelo menos no âmbito legal. Para sermos mais específicos é a partir da lei n° 11.343/2006 que traficante e usuário de substâncias ilícitas são colocados em territórios distintos. Enquanto o primeiro continua sendo problema de segurança pública, o último passa a ser preocupação das políticas de saúde. &lt;br /&gt;Lamentavelmente, apesar de contarmos com esse avanço legal importante, que descriminaliza o usuário ou dependente, o uso de drogas ilícitas ainda permanece envolto em uma nuvem de preconceitos e mitos, que contaminam nossa forma de abordar o tema, em especial quando o assunto é tratamento. Infelizmente, ainda enxergamos uma associação direta entre o uso de drogas e delinqüência ou criminalidade, visão exaustivamente reforçada pela mídia. &lt;br /&gt;Isso tem gerado uma certa confusão quando o assunto é oferecer tratamento para o sujeito que se encontra adoecido pelo uso de drogas. Além de vítima da doença, ele se torna também vítima do preconceito e da retaliação da sociedade, o que intensifica os danos, ainda mais quando o sujeito já se encontra em estado de vulnerabilidade social. &lt;br /&gt;O SUS tem sido convocado a dar respostas para tal problemática, que cada vez mais é colocada como evidente e urgente, especialmente com a chamada “epidemia do crack”. Entretanto, a nuvem de preconceitos que envolve o tema precisa ser dissipada, para que não façamos política de saúde utilizando estratégias de guerra. Sabemos que as guerras produzem sempre muitas vítimas e muito poucas soluções, e nesse caso, as vítimas tem sido aqueles para os quais as políticas deveriam oferecer cuidado: os drogadictos. &lt;br /&gt;É importante reiterar: não se faz política de saúde utilizando estratégias de guerra, pelo menos, não quando a intenção é democratizar, humanizar e promover a inserção social, diretrizes fundamentais da política de saúde mental que o SUS vem implementando. Por isso, precisamos abolir formas de tratamento que se utilizem de verbos do tipo: combater, reprimir, tutelar, capturar, aprisionar, perseguir, ameaçar, cercear, coibir, atacar ou amedrontar. Técnicas muito úteis quando se está numa frente de batalha. Por outro lado, precisamos reforçar estratégias de tratamento que façam uso dos verbos: cuidar, acolher, compreender, abrigar, escutar, oferecer, apaziguar, esperar, confiar, apoiar e possibilitar, essas sim, fortalecedoras de laço e produtoras de vida.&lt;br /&gt;Muito se fala sobre a morte como destino do sujeito adoecido pelo uso de drogas, mas o que não se diz é que a morte que realmente ameaça esse sujeito é a “morte social”. Esta sim é a mais perigosa, a que chega primeiro e a que, se não cuidada em tempo, pode provocar a morte do corpo. Isso nos indica que em se tratando de política de saúde não estamos, ou pelo menos não deveríamos estar, em guerra contra as drogas ou contra aqueles que as utilizam, já que esse é o caminho mais rápido para acelerarmos tal “morte social”. &lt;br /&gt;Concluindo, fazer alguma coisa em política de saúde não significa fazer qualquer coisa. Sendo assim, para propormos formas de cuidado e tratamento aos sujeitos adoecidos pelo uso de drogas é fundamental que não esqueçamos que nosso compromisso é com as pessoas e com a vida, coisas que numa guerra possuem o valor de quase nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-7284042509931407081?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/7284042509931407081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=7284042509931407081' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7284042509931407081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7284042509931407081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2010/07/quando-guerra-e-pior-estrategia.html' title='Quando a guerra é a pior estratégia'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-2006726889533252391</id><published>2010-06-25T10:25:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T09:49:50.332-07:00</updated><title type='text'>Diretas já!</title><content type='html'>por Rita de Cássia A Almeida&lt;br /&gt;torcedora brasileira, amante de futebol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a favor de eleições diretas para técnico da Seleção Brasileira de Futebol. Seria o auge da nossa democracia. As plataformas dos candidatos seriam do tipo: “Se eu for eleito, convocarei o Ganso e o Neimar”. “Sob meu comando, os treinos serão abertos e todas as redes de TV terão igualdade de oportunidade na cobertura dos bastidores dos campeonatos”. “Eu prometo nunca mais permitir que elejam Fátima Bernardes como musa da Copa”. E outras promessas desse tipo. Tenho pra mim que a campanha dessa eleição seria sucesso de participação e dedicação do povo brasileiro em escolher o melhor candidato. Imagine se entregaríamos nossa amada seleção na mão de um aventureiro qualquer? O passado dos candidatos seria investigado a exaustão. Discutiríamos seus métodos de trabalho, suas preferências, seus esquemas táticos e disciplinares na condução dos trabalhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que brasileiro não tem memória. Isso não é verdade! Pelo menos, não quando falamos de futebol. Alguém se esquece da escalação da “seleção dos sonhos” de 82, que acabou tropeçando na Itália? E do nome dos nossos maiores carrascos? Rossi, Zidane, Thierry Henry - só pra citar os mais recentes. E da “arrumadinha no meião” do Roberto Carlos, retrato do vexame de 2006? Eu tenho lembranças da copa de 70, só de ouvir meu pai contar e assistindo as reprises na TV, já que tinha apenas 1 ano de idade na ocasião.  E se memória nos torna capazes de não cometermos erros repetidos, nossa capacidade de escolher o melhor técnico para a seleção, então, aumenta muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o estilo Macunaíma também temos fama de sermos um povo moralmente flexível. Tudo é perdoável: traição, corrupção e safadezas das mais diversas. Só não arredamos o pé de nossas convicções morais em certas situações: jogo feio, passe errado, gol perdido e falta de raça. Ah, não! Isso é imperdoável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, continuo na defesa da consulta popular para escolher o técnico da Seleção. Encerrada a Copa do Mundo, daríamos o pontapé inicial da campanha para as eleições do comandante do nosso exército de chuteiras pelos próximos quatro anos. Ou dois, caso a coisa desande demais. Poderíamos até aproveitar a organização já montada para as eleições de outubro, sempre coincidentes com o ano da Copa do Mundo. A cédula eletrônica ficaria nesta ordem: Técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Presidente, Senador, Deputado, e assim por diante. A partir deste dia as eleições poderiam deixar de ser obrigatórias. Quem vai ser o doido ou alienado de não defender suas convicções futebolísticas nas urnas? E depois deste primeiro ensaio verdadeiramente democrático, receio que o povo, consolidando de vez nossa jovem democracia, também exigiria ser consultado para escalar a seleção. Cada um teria a oportunidade de votar em seu time de preferência para nos representar diante do mundo. Seria a gloria! Eu já tenho a minha seleção na ponta da língua. E você?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-2006726889533252391?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/2006726889533252391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=2006726889533252391' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2006726889533252391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2006726889533252391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2010/06/diretas-ja.html' title='Diretas já!'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6071256998017846500</id><published>2009-12-04T16:26:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T14:51:31.668-08:00</updated><title type='text'>Não se educa sem traumatizar.</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;Psicanalista &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dedico este texto em homenagem e em gratidão à Irmã Estefânia, saudosa diretora do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora/MG.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cursei o segundo grau em um tradicional colégio de freiras, de 1983 a 1985 e essa semana andei lutando com algumas lembranças daquela época. Lembrei-me especialmente de uma das freiras, a que ocupava o cargo de diretora na ocasião: Irmã Estefânia. Irmã Estefânia era o verdadeiro terror da escola, a quem temíamos e odiávamos. Nosso pior pesadelo era ser alvo de suas repreensões ou mesmo cruzar o seu caminho por algum motivo. Mas na verdade, Irmã Estefânia, era praticamente uma sombra, quase nunca a víamos, não circulava nos corredores, falava pouco e nem era acessível aos pais ou professores. Sua presença só era convocada em situações extremas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhada nessas lembranças recordei de uma vez, a única vez na qual eu e minha turma fomos o alvo da ira e rabugice daquela mulher. Alguém da turma – que não me lembro quem – inventara uma tal de “bolinha espacial”. Uma bolinha de papel um pouco mais sofisticada, feita de papel alumínio (reutilizado para tal fim após cumprir a função de embalar um sanduíche para a merenda). O fato é que essa “bolinha espacial” era extremamente poderosa, fazia um estrago quando arremessada na cabeça de alguém (e o propósito era exatamente esse). Portanto, quem se apoderava da tal bolinha, já que todas as outras eram de papel comum, era temido e respeitado pelos demais alunos e podia experimentar, ainda que por alguns instantes, a sensação de ter o poder nas mãos e de expressar sua agressividade contra alguém que elegesse como alvo. Essa brincadeira durou várias semanas, sem grandes contratempos: ninguém reclamou de levar bolada na testa ou no olho, ninguém se sentiu vítima de nenhuma violência ou bullying (como nomeiam agora), ninguém reclamou pra nenhum professor, pro pai, pra mãe e ninguém foi encaminhado ao psicólogo ou psiquiatra. Mas, um belo dia... Alguém errou a pontaria e ao invés acertar um colega, acertou a lâmpada fluorescente da sala, que estourou e se desfez sobre nossas cabeças em mil pedaços. Um silêncio sepulcral tomou conta da sala e a frase que todos nós temíamos foi dita minutos depois: - Chamem a Irmã Estefânia! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo que se passou entre essa frase e a chegada da nossa inquisidora foi um dos piores que talvez eu tenha passado até então, e certamente, por isso, jamais me esqueci. Lembro-me do medo que senti, da dor de barriga e do gosto amargo que me vinha na boca só de pensar que meus pais saberiam do ocorrido. Também me lembro da chegada triunfante de Irmã Estefânia, dos berros que ela dava e de sua feição cruel e ameaçadora. Não me lembro do castigo que com certeza nos foi imposto, me lembro apenas que recebemos uma punição coletiva, porque nos recusamos a acusar o autor da façanha. Ah! E depois, meu castigo em casa foi dobrado porque minha mãe teve que comparecer na escola, para dar explicações... Enfim diria que o episódio da “bolinha espacial” foi um trauma em minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa visada superficial, ou talvez numa visada atual, Irmã Estefânia seria apenas uma mulher cruel, prepotente e mandona, que exercia sua sede de poder e seu sadismo sobre pobres e inocentes adolescentes. Mas, avaliando mais profundamente, a função que ela cumpria foi fundamental para nós. Hoje entendo que Irmã Estefânia, na verdade, não era tão somente uma castradora, mas, sobretudo, uma possibilitadora. Como tínhamos uma figura definida a quem dirigir nosso ódio, nossa repulsa, nosso temor, já que podíamos elegê-la a bruxa ou o demônio que infernizaria nossas vidas – a perseguidora responsável por nossos maiores infortúnios – podíamos, por outro lado viver numa relação de harmonia e irmandade com todos os demais membros da escola, professores, funcionários e alunos. O que ficava claro sem precisar ser dito era: todos submetidos à Irmã Estefânia e todos contra a Irmã Estefânia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de citar apenas esse exemplo me recordo de muitas outras figuras da minha infância e juventude que cumpriram função semelhante à de Irmã Estefânia. Figuras temidas, respeitadas e odiadas que invariavelmente nos traumatizavam, facilitando bastante as coisas para nós. De fato, nossos pais também ocupavam em maior ou menor medida tal função, suportavam nossa raiva e não tinham medo de nos traumatizar com suas atitudes ou palavras. Eram também castradores-possibilitadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou mãe de dois adolescentes e vejo que eles não tem tido a mesma sorte que eu tive, afinal, figuras como Irmã Estefânia não existem mais, já que ninguém mais está autorizado assumir tal função, ou melhor, ninguém mais suporta ocupar essa função. Nós, pais e mães, temos medo de despertar a rebeldia de nossos filhos, professores temem ser alvo da ira de seus alunos e assim por diante. Isso faz com que a necessidade de nossos jovens de serem traumatizados, de terem medo, de sentirem ódio ou repulsa por alguém sem precisar de nenhum fato real para tal, tenha ficado completamente prejudicada. Sim, porque avaliando melhor agora, percebo que Irmã Estefânia na verdade, não fez nada de real que merecesse nosso temor e ódio, ela apenas representava um papel, assumia uma figura simbólica traumática extremamente facilitadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, os manuais de educação atuais dizem que devemos ter muito cuidado para não traumatizar nossos filhos ou alunos. Manuais que nos prometem um mundo totalmente higienizado, livre de todo e qualquer mal-estar. Mas o que tais manuais se esquecem de dizer é que, em última instância, nenhuma educação é feita sem traumas, ou seja, educar é invariavelmente traumático, violento, uma forma de impor os preceitos e normas de uma sociedade a um sujeito que quer apenas e tão somente, fazer o que quer, como quer e na hora que bem entender (todos já devem ter convivido com uma criança de 3 anos). Sendo assim, não é possível educar sem traumas, sem violentar de alguma maneira o querer do outro, assim como também não é possível crescer sem se rebelar contra alguém ou alguma coisa, mostrando assim seu próprio querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que Irmã Estefânia cumpriu sua função de traumatizar e violentar toda uma geração de crianças e jovens sem precisar lançar mão de artifícios cruéis de verdade, nos possibilitando ainda, que soubéssemos exatamente contra o que ou contra quem nos rebelar. Isso nos permitia um certo bussolamento, pois, nossos “algozes” estavam definidos e os preceitos também definidos, sendo que, era a partir de tais referenciais que nos rebelávamos. E para sermos rebeldes precisávamos de muito pouco, bastava quebrar por acidente a lâmpada da sala de aula. Já meus filhos precisam de muita criatividade e esperteza para serem considerados rebeldes. Dependendo do que fizerem, podem ser considerados as vítimas do episódio (o que de longe é a intenção deles), ou pior, podem ser imediatamente encaminhados para o psicólogo ou psiquiatra. O fato é que se tornou uma tarefa muito difícil ser considerado rebelde hoje em dia, o mais comum é ser considerado vítima de algum tipo de abuso físico ou psicológico, ou portador de algum transtorno psíquico, psiquiátrico ou neurológico. Curiosamente, ao desbancar Irmã Estefânia de sua função – com a justificativa de defender os direitos de crianças e jovens e de impedir que passassem por situações de possível violência e constrangimento – nossa sociedade, ao mesmo tempo, vitimizou excessivamente esses jovens, foi progressivamente, minando a potência e a capacidade deles para lidar e superar traumas e subtraindo deles a capacidade de temer e respeitar, mas também a possibilidade de odiar e de se rebelar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tenho percebido que crescer e adolescer tem sido muito mais difícil e penoso para meus filhos do que foi pra mim. Não costumo ser nostálgica, nem sou das que pensam que “naquele tempo” foi sempre melhor que “hoje em dia”. Também não acredito que seja possível resgatar Irmã Estefânia. Meu texto é apenas um alerta para os que acreditam que seja possível educar sem traumas. Um alerta para os pais que acham que estão facilitando as coisas para os filhos ao dizerem sempre “sim” e ao tratá-los sempre como vítimas de um mundo cruel. Um chamado aos que não dizem “não” para crianças e jovens por temerem ser chamados de castradores por não entenderem que, na verdade, a castração é, ao contrário do que se imagina, uma grande possibilitadora.  O fato é que sem a ajuda de Irmã Estefânia, precisamos inventar e reinventar outras estratégias para auxiliar nossos filhos ou alunos a delimitarem esse nosso mundo e o mundo para eles. A promessa de uma vida “sem limites” nos parece bastante sedutora, nos remete à noção de liberdade, tão cara para o mundo moderno ocidental. Todavia, ter liberdade de escolha não é o mesmo que escolher tudo, e sim, conseguir dizer “não” para algumas coisas. Mas, quem não reconhece o “não”, como será capaz de dizê-lo? Sendo assim, especialmente para os jovens, uma existência “sem limites” não tem sido e jamais será vivenciada como uma benção libertadora – podem estar certos – mas sim, como uma maldição, que inviabiliza qualquer escolha desejante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6071256998017846500?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6071256998017846500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6071256998017846500' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6071256998017846500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6071256998017846500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/12/nao-se-educa-sem-traumatizar.html' title='Não se educa sem traumatizar.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-5182601871500649680</id><published>2009-12-04T16:08:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T16:25:44.851-08:00</updated><title type='text'>O desafio das drogas</title><content type='html'>Por Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;Trabalhadora da Rede de Saúde Mental do SUS&lt;br /&gt;Publicado no Jornal O Tempo em 14/11/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão das drogas na atualidade é emblemática – especialmente quando regada pela chamada “epidemia do crack” e seus desdobramentos – e se tornou para a saúde pública um enorme desafio. Sou uma trabalhadora da rede de saúde mental do SUS e vivo cotidianamente esse desafio; minha especialidade é “botar a mão nessa massa”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter coragem para dizer que a questão do tratamento da compulsão pelo álcool e outras drogas é cercada de muitos fracassos, fracassos ainda maiores quando se concebe como única forma de tratamento a abstinência; de qualquer maneira e a qualquer preço. Sabemos que diante de problemas graves e de difícil solução, especialmente em situações novas, é comum que procuremos conforto em soluções que já nos são conhecidas. Assim, sustenta-se a idéia de que a internação involuntária seria a milagrosa e necessária intervenção que resolveria o problema das pessoas adoecidas pelo uso de substâncias psicoativas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ao desenterrar essa nossa velha conhecida no âmbito das propostas de tratamento para as enfermidades mentais, o que conseguimos é, tão somente, oferecer respostas velhas para problemas novos. É preciso dizer que as internações involuntárias – outrora utilizadas em doses cavalares com os doentes mentais – não solucionaram o problema deles, nem de suas famílias, pelo contrário. Também é importante que se diga que uma internação involuntária não é capaz de tratar ninguém, ela pode apenas, na melhor das hipóteses – se utilizada de maneira parcimoniosa, respeitosa e criteriosa – possibilitar uma intervenção primeira, pois que, o início do tratamento de fato, só será possível com a implicação e o desejo do sujeito e em locais ou situações onde a participação da família, o apelo comunitário e a inserção social sejam considerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que a fala sofrida e emocionada de pais e mães desesperados e impotentes diante do vício do filho, nos fazem concordar com medidas extremas como essa (e às vezes concordamos). No entanto, o que nem sempre é dito, é que passado o alívio dos primeiros dias ou semanas da suposta ‘salvadora’ e ‘milagrosa’ internação, os pais vão perceber que o filho deles não recebeu nenhuma espécie de vacina ou armadura que o proteja da compulsão pelas drogas, e o ciclo então tende a se repetir indefinidamente, ou pelo menos até que o tratamento ocorra de fato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendemos, portanto, que a internação tradicional parece, mas não é a solução para os problemas relacionados à dependência de sustâncias. E isso não quer dizer que as soluções possíveis sejam mais simples ou baratas, ao contrário, são muito mais complexas e exigem uma grande diversidade de investimentos, aparatos, intervenções, instâncias e estratégias. E nessa direção, muita coisa interessante e verdadeiramente inovadora está acontecendo. Nos CAPS (centros de atenção psicossocial) e nos CAPS AD (álcool e drogas) espalhados pelo país.  Pelas mãos dos Redutores de Danos que oferecem cuidado para os que só tem a rua como clínica possível. Nos projetos governamentais e não governamentais que ocupam comunidades carentes para oferecer acesso à educação, esporte, lazer e cultura àqueles com poucas oportunidades de escapar do jugo das drogas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluindo, aumentar a oferta de leitos para a internação e/ou facilitar o mecanismo da internação involuntária é uma resposta simplista demais, pobre demais e, sobretudo ultrapassada quando a intenção é responder de maneira eficiente a esse grave problema de saúde pública. Nosso desafio é muito maior e para enfrentá-lo toda a sociedade precisa “colocar a mão nessa massa”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-5182601871500649680?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/5182601871500649680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=5182601871500649680' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5182601871500649680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5182601871500649680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/12/o-desafio-das-drogas.html' title='O desafio das drogas'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-1571459234266996114</id><published>2009-10-28T15:49:00.000-07:00</published><updated>2009-10-30T07:46:14.147-07:00</updated><title type='text'>O SUS e o desafio imposto pelas drogas</title><content type='html'>Por Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;Trabalhadora da Rede de Saúde Mental do SUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já era previsível, toma a cena a emblemática questão das drogas, especialmente temperada pela chamada: “epidemia do crack” e seus desdobramentos. As políticas de saúde, por sua vez, têm sido especialmente convocadas a dar respostas para esta realidade que se tornou um enorme desafio para o SUS nas suas diretrizes e práticas de tratamento e cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato que ninguém discute é que o uso e o abuso de substâncias psicoativas em nossa sociedade têm tomado contornos e gerado conseqüências que vem colocando todos diante de um não-saber sobre os rumos e os caminhos a serem tomados, não-saber compartilhado por governos, instituições, políticas públicas e organizações governamentais e não-governamentais no mundo todo. Entretanto, mesmo quando admitimos que há um não-saber que atravessa este tema, é possível ainda sim sustentar alguns saberes, dos quais não podemos recuar, saberes que foram conquistados por meio de experiências e transformados em avanços nas políticas e legislações. Ou seja, mesmo que não saibamos exatamente o que fazer em determinadas situações, quando o assunto é o tratamento e o cuidado dos problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas, ainda sim sabemos exatamente o que não fazer na mesma situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é preciso muita coragem para admitir os fracassos e não-saberes em torno desse desafio que o SUS está enfrentando, como fez publicamente e em horário nobre o coordenador nacional da saúde mental. A posição mais confortável e digamos mais ‘pop’, no entanto, é a dos que se dizem doutores e especialistas no assunto, que do alto da pompa do seu todo-saber apresentam uma ‘inovadora’ e ‘milagrosa’ solução para o problema que se impõe: a internação involuntária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao desenterrar essa nossa velha conhecida no âmbito das propostas de tratamento para as enfermidades mentais, o que tais ‘especialistas’ conseguem é tão somente oferecer respostas velhas para problemas novos. E o que eles não dizem é que as tais internações involuntárias – antes utilizadas em doses cavalares – não solucionaram o problema dos doentes mentais nem de suas famílias, ou pelo menos não daquelas que pretendiam tratar de seu ente querido e não apenas se ver livre dele. O que também não é dito é que uma internação involuntária não é capaz de tratar ninguém, ela pode apenas, na melhor das hipóteses, se utilizada de maneira parcimoniosa, respeitosa e criteriosa, possibilitar uma intervenção primeira, pois que, o início do tratamento de fato, este sim, só será possível com a implicação e o desejo do sujeito e em locais ou situações onde o apelo comunitário e a inserção social sejam considerados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que a fala sofrida e emocionada de pais e mães desesperados e impotentes diante do vício do filho, nos fazem concordar com medidas extremas como essa. No entanto, o que também não é dito, é que passado o alívio dos primeiros dias ou semanas da internação ‘salvadora’ e ‘milagrosa’, os pais vão perceber que o filho deles não recebeu nenhuma espécie de vacina ou armadura que o proteja definitivamente da compulsão pelas drogas, e o ciclo então, tende a se repetir indefinidamente, ou pelo menos até que o tratamento ocorra de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, o que é preciso ser ressaltado com todas as letras é que a internação involuntária não será o milagre que todos esperamos para salvar nossos filhos, pais, mães, maridos ou esposas das garras do maior 'demônio' da atualidade: as drogas. (frase para ser lida com uma dose grande de ironia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também é necessário que se diga que o índice de fracasso se torna muito grande quando se entende que tratar as pessoas que apresentam problemas relacionados ao uso abusivo e nocivo de álcool e outras drogas se resume apenas em promover a abstinência, e a qualquer preço. E que nenhum tratamento ou intervenção que se pretenda humanizada, respeitosa, ética e, portanto eficaz, se conquista à revelia do sujeito, passando por cima de seus desejos, escolhas e singularidades, ainda que a nosso ver, estranhas e atrapalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alto e bom tom é necessário avisar aos desavisados que se os especialistas decidem por desenterrar a desgastada e ineficaz internação involuntária, ou é porque desconhecem os caminhos trilhados pelas políticas de cuidado aos doentes mentais – e, neste caso, devemos duvidar de sua tão honrosa especialidade – ou os motivos são outros que desconhecemos... Ou será que são os mesmos de outrora? Só pra lembrar aos esquecidos ou avisar aos desavisados, as internações involuntárias e indiscriminadas, enriqueceram a chamada “indústria da loucura”, condenando os doentes mentais ao isolamento, ao abandono e à exclusão, tudo, é claro, em nome do ‘tratamento’ e do ‘bem’ deles. (mais ironia, por favor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existem alguns avanços conquistados no âmbito das políticas de saúde mental que não podem retroceder, sob nenhuma justificativa, nem mesmo pelo apelo emocionado de pais e mães. Aquilo que foi superado pela sua ineficácia e ineficiência, pela iatrogenia gerada, pela desumanidade e desrespeito a direitos mínimos de dignidade e cidadania e pelo reforçamento de estigmas e preconceitos, não pode ser novamente pensado como uma estratégia possível e plausível. Já vimos este filme antes, o roteiro é o mesmo, agora com outros atores: eram os ‘loucos’ agora os ‘drogadictos’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, longe dos olhos dos doutores especialistas que sabem tudo e da mídia ávida por nos comover com a desgraça alheia, muita coisa interessante e verdadeiramente inovadora está acontecendo. Os CAPS ad: serviços que se propõem a oferecer tratamento humanizado, aberto, de caráter comunitário, vinculado a uma rede de atenção em saúde e assistência integral, com propostas de apoio familiar, exercício de cidadania e inserção social. Os redutores de danos: que estão nas ruas e esquinas, nos lugares onde ninguém ousa chegar, oferecendo seus ouvidos, seu olhar e seus cuidados para os que só tem a rua como clínica possível. Projetos governamentais e não governamentais: que ocupam comunidades carentes, sobem os morros e as favelas e lidam ‘cara a cara’ com o tráfico e a criminalidade, para oferecer acesso à educação, esporte, lazer e cultura àqueles com poucas oportunidades de escapar do jugo das drogas. E inúmeras outras experiências exitosas, desenvolvidas por entidades e instituições diversas, e que lamentavelmente não aparecerão na mídia em horário nobre, afinal, o que dá audiência e seriedade científica ao desenvolvimento do tema são os doutores especialistas em seus jalecos impecavelmente brancos, e se estão brancos é porque nunca estiveram com a “mão na massa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós, trabalhadores e defensores do SUS e de suas políticas, participantes e atores dessas outras experiências que dificilmente serão colocadas na mídia, nós os especialistas em botar a “mão na massa” esperamos que a sociedade entenda que a internação tradicional parece, mas não é a solução para os problemas relacionados ao uso e abuso de álcool e outras drogas. E isso não quer dizer que as soluções possíveis sejam mais simples, ao contrário, são muito mais complexas e exigem uma grande diversidade de aparatos, intervenções, instâncias e estratégias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos que o SUS e seus atores e gestores comprometidos com o fortalecimento e a defesa de uma saúde pública, gratuita e de boa qualidade, consigam enfrentar este enorme desafio com avanços e não retrocessos. Contudo, sabemos que só conseguiremos vencê-lo com muito trabalho, dedicação, esforço, enfrentamentos, estudos e discussões. E sabemos também que os doutores especialistas que sabem tudo não estarão lá para colocar a mão nessa massa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-1571459234266996114?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/1571459234266996114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=1571459234266996114' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1571459234266996114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1571459234266996114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/10/o-sus-e-o-desafio-imposto-pelas-drogas.html' title='O SUS e o desafio imposto pelas drogas'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6335854417105336612</id><published>2009-10-12T12:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T12:19:07.465-07:00</updated><title type='text'>Em tempos de religiões pervertidas</title><content type='html'>Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;rcaalmeida@ig.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É numa tentativa de dar sentido ao inexplicável, ao mistério que ronda sua experiência de estar neste mundo que o homem inventa a religião. Diante de suas limitações e atormentado pelas privações da existência mundana o homem busca o infinito: Deus. A religião seria um caminho, um modo de se encontrar e de se comunicar com Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As religiões têm, portanto, a função de transcender a matéria, o imediato, a carne, a materialidade. É um modo que encontramos de nos libertarmos das exigências e limitações de nosso corpo material. Sendo assim, qualquer religião que prometa ser meio para alcançar bens materiais, que se ofereça como ponte de acesso a objetos-mercadoria ou que, pior ainda, meça a fé de alguém pelo tanto de dinheiro ou bens que ela é capaz de ofertar é, antes de tudo, uma religião pervertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvidas de que o acesso a uma vida digna e minimamente confortável é um direito que convém a todos, mas isso não é função das religiões, para isso temos (ou deveríamos ter) a política. Todavia, em tempos de políticas pervertidas, explodem também religiões pervertidas. Religiões que se aproveitam da fragilidade social e da falta de perspectiva dos cidadãos, que não se sentem representados e escutados na polis, para atribuírem a Deus responsabilidades que seriam dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa perversão generalizada, não faltam igrejas que vendem esperanças de dias melhores – tanto na terra quanto nos céus – transformando fé em mercadoria, degradando a noção de religiosidade e sagrado, entendendo-as como experiências que podem ser compradas e vendidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Bíblia encontramos uma passagem – relatada pelos quatro evangelistas – na qual Jesus, indignado e enfurecido, expulsa os mercadores do templo, acusa-os de transformarem uma casa de orações em um “covil de ladrões”. Se acaso Jesus visitasse hoje os templos erigidos em seu nome, certamente, teria muitos mercadores a expulsar e muitos motivos para se enfurecer. Também o ouviríamos dizer muitas vezes: “Dai a Cézar o que é de Cézar e a Deus o que é de Deus”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6335854417105336612?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6335854417105336612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6335854417105336612' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6335854417105336612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6335854417105336612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/10/em-tempos-de-religioes-pervertidas.html' title='Em tempos de religiões pervertidas'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-8061579208813514023</id><published>2009-10-03T18:22:00.000-07:00</published><updated>2009-10-03T18:44:50.795-07:00</updated><title type='text'>O pessimista é, sobretudo, um chato.</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho me dado conta de que o pessimista é, sobretudo, um sujeito chato. Aquele do tipo que assiste a um jogo da seleção brasileira do seu lado e fica azarando a partida toda, só vê defeito em tudo. Se a seleção ganha, ele pode até comemorar, com algumas ressalvas é claro, mas se, por infelicidade sua, a seleção perde, haja paciência, ele não vai se cansar de repetir tudo que havia previsto com sua bola de cristal azarenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a vitória do Rio de Janeiro para sediar das olimpíadas de 2016, os pessimistas de plantão já estão dando seus palpites. Como verdadeiros cavaleiros do apocalipse, eles já anunciam as desventuras dessa investidura brasileira. Já imaginam os seqüestros, as balas perdidas e a criminalidade fazendo pano de fundo para os eventos e festividades. Também usam como argumento o fato do Rio de Janeiro ter muitas coisas mais importantes para se preocupar, não devendo estar na sua lista de prioridades um evento esportivo dessa envergadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pessimistas não percebem que uma Olimpíada pode modificar desde já a realidade de um lugar, de uma cidade e de um país. Não entendem que se o Rio precisa mudar sua realidade social, reinventar a paz e fortalecer seu tão abalado posto de “cidade maravilhosa”, então não existe motivação ou investimento melhor do que esse. Políticos, governantes, investidores, organizações e/ou instituições que viraram as costas para o Rio, apostando que abandonar o barco seria a melhor saída, agora terão que rever suas posições e fazer novamente dessa cidade a capital do país, ainda que seja a capital esportiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande parte do sucesso de Lula se deve ao fato dele fazer parte do time dos otimistas. Dos que apostam nas vitórias e nos acertos. Dos que não admitem perder o jogo antes de iniciada a partida. Pessoas de sucesso pensam assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, lembrando novamente daquele amigo chato que assiste futebol com você, acredito que ele não se importe muito com o resultado da partida. O que ele quer mesmo é, no final das contas, te dizer aquela frase insuportável: “Eu não disse?” E o pior de tudo é que ele sempre se sentirá autorizado a utilizar tal frase, porque, mesmo que o time ganhe, ele sempre encontrará algum motivo para botar defeito, para te dizer que não foi tão perfeito assim (e como perfeito nunca será mesmo...). Na verdade o pessimista é um chato porque não está preocupado com o desdobramento das coisas; o que ele quer mesmo é ter sempre razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://twitter.com/rcaalmeida"&gt;http://twitter.com/rcaalmeida&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-8061579208813514023?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/8061579208813514023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=8061579208813514023' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8061579208813514023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8061579208813514023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/10/o-pessimista-e-sobretudo-um-chato.html' title='O pessimista é, sobretudo, um chato.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-7185746554806377153</id><published>2009-08-22T15:05:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T15:06:41.589-07:00</updated><title type='text'>Sem limites</title><content type='html'>Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;psicanalista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é novidade que é o banho da cultura que nos veste, que possibilita dar algum contorno para a nossa animalidade, para o real que se abate sobre nós. É isso que nos faz humanos, que nos permitiu colocar a palavra onde só havia ato e que, em última análise, nos protege da barbárie. Tal contorno estabelece para nós um limite, um limite que não devemos ultrapassar, sob o risco de extrapolarmos nossa própria condição de existência e de romper com aquilo que nos faz humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manter-nos nesse limite da humanidade é tão importante que mesmo em tempos de guerra, por exemplo, onde os maiores horrores são vivenciados, vários tratados internacionais vigoram com o objetivo de manter um mínimo de ética e de respeito ao ser humano. O fato é que sem nossas vestimentas culturais e simbólicas, ficamos a mercê da selvageria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi isso que se viu no final da noite do último domingo. Quem acreditava já ter visto de tudo na TV, ficou estarrecido com as cenas mostradas em um reality show. A chamada “prova do estômago” exibiu cenas bizarras dos participantes comendo, dentre outras “iguarias”, ovos galados, ou seja, com um feto dentro, na tentativa de manterem suas equipes e, portanto, a si mesmos, com chances de vencer a disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A selvageria à qual me refiro não é resultante do simples fato de se comer o feto cru de uma galinha. Em certas culturas, pode ser que esse tipo de alimento seja apreciado e culturalmente incorporado, entretanto, esse não é o caso. Sendo assim, vivenciada pelos participantes como um mergulho profundo na selvageria, essa experiência grotesca, violenta e de extremo mau gosto mostrada num programa de televisão, nos leva a perguntar: o que se é capaz de fazer por 500 mil reais? E a triste e lamentável conclusão que chegamos é que, em um mundo dominado pelo capital, por 500 mil reais é possível comprar e vender até mesmo a humanidade de alguns. Por esse valor ou por outros até menores, encontramos quem extrapole qualquer limite, inclusive os limites mais fundamentais; aqueles que nos fazem pertencer à raça humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-7185746554806377153?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/7185746554806377153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=7185746554806377153' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7185746554806377153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7185746554806377153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/08/sem-limites.html' title='Sem limites'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-2271897071428412032</id><published>2009-08-04T14:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T15:01:42.692-07:00</updated><title type='text'>A Reforma Psiquiátrica Brasileira em movimento</title><content type='html'>Rita de Cássia de A.Almeida&lt;br /&gt;Trabalhadora da Rede de Saúde Mental do SUS&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:rcaalmeida@ig.com.br"&gt;rcaalmeida@ig.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia que está sendo utilizada para desmerecer as Políticas de Saúde Mental defendidas pelo SUS é perversa e leviana. Temos assistido recentemente, inúmeras publicações e reportagens veiculadas pela imprensa, com a intenção clara de desqualificar os avanços da Reforma Psiquiátrica Brasileira e a sua lei maior – a lei 10.216. São utilizados relatos de casos e situações de pessoas que se sentem desassistidas, não para lutar por avanços nessa política, mas sim, para fortalecer o imaginário de que tais pessoas estariam mais bem assistidas se os leitos nos hospitais psiquiátricos estivessem sendo preservados, o que não é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história recente não nos deixa cair nesse engodo, pois a verdade é que os hospícios se transformaram em depósitos humanos e não em lugares de tratamento. A lógica do manicômio não trata, apenas "varre para debaixo do tapete". Portanto, o que vemos divulgados hoje são apenas as vicissitudes experimentadas por quem sofre de doença mental, e que se hoje podem aparecer na mídia, anteriormente ficariam exilados e silenciados por traz dos muros dos manicômios. Por outro lado, não é divulgado com o mesmo vigor, por exemplo, o fato da Reforma Psiquiátrica Brasileira ter sido recentemente convidada para servir de modelo para um programa global de saúde mental, a ser desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que ainda não chegamos onde pensamos poder chegar, precisamos avançar muito, ampliar serviços, criar novos dispositivos, abrir o hospital geral para as enfermidades mentais, ampliar assistência, mas não retroceder, acreditando que um maior número de leitos em hospitais psiquiátricos melhora a qualidade do atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, essa não é nem uma particularidade da saúde mental, hoje sabe-se no mundo inteiro que avançar nas políticas de saúde não tem nada a ver com aumento do número de leitos hospitalares, a resposta está na prevenção, na atenção básica e nos serviços territorializados, de base comunitária. Nossa política de saúde mental atual, obviamente, tem lacunas, falhas e distorções, mas estamos caminhando na direção correta, ainda que não com a velocidade desejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, os hospitais psiquiátricos tiveram mais de 200 anos para se estabelecer e nos mostraram sua ineficiência, para não dizer sua desumanidade. O modelo que propomos ainda é uma criança, tem apenas 8 anos, se contamos como data de seu nascimento a lei 10.216 de 2001. Sendo assim, essa criança precisa de atenção e zelo para que possa crescer de forma a alcançar todo o seu potencial e não ser desmerecida e enfraquecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-2271897071428412032?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/2271897071428412032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=2271897071428412032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2271897071428412032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2271897071428412032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/08/reforma-psiquiatrica-brasileira-em.html' title='A Reforma Psiquiátrica Brasileira em movimento'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-2871768755794705322</id><published>2009-06-30T14:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-30T14:36:20.638-07:00</updated><title type='text'>Michael Jackson: inclassificável</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;rccalmeida@ig.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossível definir Michael Jackson. Impossível capturá-lo em alguma definição, em alguma nomeação. Michael é o que podemos chamar de inclassificável, afinal, não foi homem e nem mulher, não foi negro e nem branco, não foi criança e nem adulto. E, considerando sua condição financeira, nem saberíamos dizer se estava rico ou pobre. Michael sabia ser um rei poderoso, mas também carregava a fragilidade do plebeu mais humilde e indefeso. Era capaz de ser doce e ácido, e nos causava sentimentos conflitantes, tais como familiaridade e estranheza, paixão e asco, raiva e piedade. Michael transitou como ninguém pela beleza e pelo horror, pela genialidade e pela debilidade, pela sanidade e pela loucura. O fato é que Michael foi único. Talvez a definição mais apropriada para ele tenha sido dada por sua amiga Liz Taylor. Ela disse que Michael não pertencia a este planeta. Sim, talvez não pertencesse mesmo a este mundo, um mundo no qual as definições e classificações são tão necessárias e importantes. E Michael sempre nos parecia assim mesmo, quando não estava nos palcos, num certo desconforto diante da existência, como se fosse um estrangeiro recém-chegado de um país distante. Mas, certamente, o planeta de Michael era o palco, somente ali ele parecia estar realmente à vontade. Um rei amado e venerado por seus súditos. Michael reinventou a música, a dança, a linguagem dos videoclipes. Michael reinventou a própria cultura, mas não pôde inventar um lugar para si mesmo, não houve tempo para isso. Dedicou toda a sua vida e genialidade àquilo que melhor sabia fazer: cantar e dançar, não sobrou energia para mais nada. Sendo assim, seria demais cobrarmos alguma normalidade ou coerência na vida de Michael, afinal ele nos deu o melhor de si, cumprindo, assim, sua missão maior. O fascínio que os grandes artistas provocam é exatamente essa capacidade de fazer com que sua obra se torne maior que eles mesmos, são sujeitos capazes de viver mais fora do que dentro de si mesmos. Assim foi Michael com sua generosidade artística.O mundo não foi mais o mesmo depois de Michael e, certamente, não será o mesmo depois de sua morte. Sua passagem por este mundo foi inusitada até mesmo quando falamos de vida e morte. Nos últimos anos, Michael esteve morto, mesmo estando vivo, e agora, morto, está mais vivo do que nunca. Nem mesmo a morte foi capaz de capturar Michael Jackson; ele está morto e está vivo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-2871768755794705322?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/2871768755794705322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=2871768755794705322' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2871768755794705322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/2871768755794705322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/06/michael-jackson-inclassificavel.html' title='Michael Jackson: inclassificável'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-4929545128441814379</id><published>2009-06-04T05:14:00.000-07:00</published><updated>2009-06-09T16:30:53.535-07:00</updated><title type='text'>Reverter o abandono</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:rcaalmeida@ig.com.br"&gt;rcaalmeida@ig.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semanas atrás, um jornal de Juiz de Fora circulou a notícia de que o tráfico e a marginalidade tomaram conta de uma praça central da cidade. Moradores do entorno afirmaram ter deixado de frequentar a praça por causa dos riscos e que já pensaram em mudar-se do local. Veio-me então a pergunta: será que os moradores abandonaram a praça porque a criminalidade tomou conta da mesma ou a criminalidade tomou conta da praça porque a comunidade a abandonou? A resposta mais óbvia é: os moradores abandonaram a praça porque a criminalidade tomou conta dela.&lt;br /&gt;No entanto, fui tentada a considerar também a resposta contrária, ou seja, é na medida em que a comunidade abandona a praça que ela se torna vulnerável à ação da criminalidade. Seguindo esse raciocínio, fiquei pensando em várias outras situações que vivemos e nas quais o abandono faz sua marca.&lt;br /&gt;Abandonamos nossas crianças e assim deixamos que aproveitadores e perversos as conduzam; abandonamos nossos jovens e permitimos que as drogas e o crime os seduzam; abandonamos o rio que corta nossa cidade e assistimos à sua rápida degradação.&lt;br /&gt;Nada pode causar tanto mal quanto o abandono. Abandono é descaso, indiferença; é o nada desejar. O oposto do amor não é o ódio, como se imagina, é a indiferença, atualizada no abandono. É por isso que o casal Jolie e Pitt acerta quando decide se mudar para Nova Orleans, logo após a passagem do furacão Katrina. Acertam também os projetos sociais e ecológicos, que se valem da ocupação dos espaços abandonados pelo poder público, para reduzir as mazelas sociais e os impactos ambientais. Acerta o governo federal quando destina financiamento do PAC para ocupar as favelas do Rio de Janeiro com obras.&lt;br /&gt;Por outro lado, erramos quando abandonamos a escola pública, buscando ensino de qualidade na rede privada. Erramos quando abandonamos o SUS por duvidar de sua eficiência. Será por mero acaso que nossa universidade pública é de inegável qualidade? Será por acaso que o SUS oferece atendimento de excelência em transplantes?&lt;br /&gt;Voltando ao nosso tema inicial - a praça -, sugiro que a comunidade citada duvide que a solução seja abandoná-la ainda mais. Sugiro, ao contrário, que os moradores ocupem a praça. Quem sabe eles desçam dos seus prédios com suas crianças para brincar, como faziam há tempos atrás? Sugiro que façam festas comunitárias, promovam plantios nos jardins e promovam um abraço simbólico à praça. Amar e investir novamente nessa praça é a única maneira de recuperá-la.&lt;br /&gt;Ampliando nossa discussão, defendo que nós ocupemos os espaços vazios e abandonados da nossa sociedade; só assim impediremos sua degradação. Cada vez que recuamos - por medo, insatisfação ou intolerância -, abrimos espaço para que tudo fique ainda pior. Mas o problema é que abandonar é muito fácil... Abandonar não nos exige esforço algum. Para abandonar é suficiente que cruzemos nossos braços; basta que não façamos nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-4929545128441814379?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/4929545128441814379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=4929545128441814379' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4929545128441814379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4929545128441814379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/06/reverter-o-abandono.html' title='Reverter o abandono'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-9102826862033370915</id><published>2009-05-18T18:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T05:55:13.791-07:00</updated><title type='text'>18 de maio: um dia para repensar.</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;escrito em maio de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do tratamento das doenças mentais no ocidente confunde-se com uma história de abandono, exclusão, desrespeito e violência. Entendida como lugar do avesso ao homem racional, a loucura seguiu sendo compreendida como algo a ser excluído, abolido e alijado, tanto do meio social quanto para fora do próprio homem. No Brasil, essa história vem tomando novos contornos nas últimas décadas. Em 1987, num 18 de maio como hoje, instaurou-se em nosso país um movimento social importantíssimo – O Movimento Nacional de Luta Antimanicomial – que tinha como horizonte uma mudança na forma de tratar as doenças mentais e na maneira de olhar para a loucura, compreendendo-a para além de uma doença ou déficit, mas como manifestação radical de uma diferença. A bandeira desse movimento sempre foi buscar novas formas de cuidado e tratamento que conseguissem romper com o modelo tradicional. Esse movimento alcançou grande força política, agregando técnicos de saúde mental, usuários e familiares, todos mobilizados pelo lema: “Por uma sociedade sem manicômios”. Os manicômios se figuravam como os representantes de um modelo excludente, desumano e discriminatório de oferecer tratamento aos doentes mentais. Instituições nas quais os pacientes, em geral, entravam para nunca mais sair. Hoje as comemorações do 18 de maio continuam a acontecer em todo Brasil. As bandeiras de agora não são as mesmas de antes, já que as mudanças propostas por esse movimento foram contempladas em lei – a lei 10.216 de 2001 – e encampadas pelo SUS. Novos dispositivos e formas de cuidado e tratamento tem sido implementados, estimulados e financiados pela Política Nacional de Saúde Mental no intuito de superar o modelo tradicional, oferecendo tratamento humanizado, aberto e com visas à inserção social. Sendo assim, o verbo mais conjugado pelo lema deste 18 de maio continua sendo SUBSTITUIR. Substituir os muros por portas abertas; substituir a exclusão pela inclusão; substituir a perda de direitos civis e sociais pelo exercício da cidadania; substituir as longas internações por internações curtas e pontuais apenas nos momentos de crise; substituir o abandono pelo acolhimento na família e comunidade; substituir o silêncio pela palavra, pela criação e pelo trabalho; substituir a discriminação pelo respeito às diferenças; substituir o preconceito pelo entendimento; enfim, substituir o isolamento pela partilha e o acolhimento. Desde 1987, muita coisa mudou no âmbito do que hoje se entende por saúde mental. Mudaram-se teorias, políticas, instituições, legislações, discursos, formas de abordagem, metodologias, práticas e até mesmo construções ideológicas. Sabe-se, no entanto que em qualquer mudança de paradigma a última coisa a mudar são as mentalidades. Sendo assim, ainda mantemos em nós muitos “pensamentos manicomiais”. Não é incomum sermos tomados, por exemplo, pela fantasia de criar uma ilha isolada do mundo e o mais distante de nós possível, para a qual destinaríamos todos aqueles ou tudo aquilo que nos incomoda, nos abala, nos adoece, nos atormenta e nos tira do eixo. Um lugar geograficamente delimitado para onde destinaríamos tudo o que nos é estranho, tudo o que tememos. Ou invertendo a lógica, também pensamos em criar uma redoma segura e hermética, na qual poderemos viver seguros e despreocupados das imperfeições do mundo. Transcendendo, portanto, o que o 18 de maio tem de importante para os progressos nas políticas de saúde mental no país, entendo que esse possa ser um momento oportuno para rever nossas mentalidades, compreendendo que a maneira mais humana e acertada, ainda que não a mais fácil, de lidarmos com as diferenças, os tormentos e os incômodos diários deva ser dialogando e convivendo com eles, para assim produzir novas formas de relação, convivência e existência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-9102826862033370915?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/9102826862033370915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=9102826862033370915' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9102826862033370915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9102826862033370915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/18-de-maio-um-dia-para-repensar_26.html' title='18 de maio: um dia para repensar.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-8225263695905864990</id><published>2009-05-05T18:27:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T05:56:03.505-07:00</updated><title type='text'>A família é a vilã?</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias atrás uma revista de circulação nacional publicou uma matéria intitulada: A família é a vilã. Tal matéria tratava de discutir o tema abordado em uma novela que, segundo a revista, deixa a entender que os males ou desacertos dos filhos são resultantes da educação oferecida por seus pais. Esse é um assunto delicado, sendo fácil cair em conclusões extremadas e equivocadas. Num extremo toma-se os pais como únicos e exclusivos responsáveis pelos atos de seus filhos, num outro, entende-se que os filhos escolhem caminhos que dizem muito pouco da forma como foram educados por seus pais. A pressa em demonizar a família, no entanto, é tão equivocada quanto a pressa em absolvê-la.&lt;br /&gt;É fato que existem relações familiares notoriamente desastrosas o que, muito provavelmente, não se dará sem conseqüências igualmente desastrosas, no entanto, não se pode afirmar com certeza que essa ou aquela atitude dos pais provocará esse ou aquele comportamento dos filhos. Também é bom que se saiba que nenhuma relação familiar acontece sem alguma espécie de trauma ou desencontro. Sendo assim, não existe uma maneira perfeita de educar os filhos, ou seja, isenta de traumas e, sobretudo, não existem manuais. Uma coisa, entretanto, é fundamental: criar filhos incorre numa grande responsabilidade, o que não é o mesmo que oferecer um óvulo, um espermatozóide ou um útero para gerá-los.&lt;br /&gt;Para assumir a tarefa de educar um filho é necessário ter as qualidades de um bom afinador de pianos. Ele precisa amar o instrumento e a música; além disso, precisa de tempo, dedicação e paciência; precisa de ouvidos atentos e sensíveis e, também, saber que não existem dois pianos iguais. Ou seja, educar uma criança demanda muita, muita dedicação. Dedicação para amá-la, para cuidar dela, para repreendê-la, para observá-la, para escutá-la e para orientá-la, e esta função os pais não podem delegar a ninguém, nem para a escola, nem para as instituições religiosas, nem para os livros, nem para os amigos, ainda que estas e outras instâncias possam também participar do processo educativo.&lt;br /&gt;Mas não podemos esquecer que apesar de toda nossa dedicação e cuidado nossos filhos farão suas escolhas, muitas delas geradoras de conflitos, desarranjos e sofrimentos. Nesse momento é muito comum que os pais batam no peito e digam: “minha culpa, minha máxima culpa”. Diante dessa situação, no entanto, é necessário que os pais tenham sensibilidade para entender que o que eles vêem como fracasso num primeiro momento, na verdade pode lhes servir como uma espécie de bússola: para orientá-los, para fazê-los reconsiderar seu modo de educar, suas prioridades, seus projetos de vida; filhos são um verdadeiro convite a mudanças. Mas, infelizmente, nem todos os pais percebem e aceitam esse convite e continuam a perpetuar-se em suas certezas e convicções. Uma coisa é certa: as escolhas dos nossos filhos dizem respeito sim, às nossas escolhas como pais, não por culpa, mas por responsabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-8225263695905864990?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/8225263695905864990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=8225263695905864990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8225263695905864990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8225263695905864990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/familia-e-vila.html' title='A família é a vilã?'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-5461523797780306108</id><published>2009-04-30T18:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T06:13:36.893-07:00</updated><title type='text'>Porque todos amam Susan Boyle?</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A personagem da semana certamente foi Susan Boyle. Uma mulher de meia idade e sem nenhum atributo que atenda ao nosso padrão de beleza atual, que apareceu na TV vestida com um modelito estranho e sem graça e ganhou o mundo. Em termos mais chulos diríamos que Susan é uma mulher feia, matuta e desengonçada, uma das concorrentes a se apresentar em um programa de calouros inglês há duas semanas. Inicialmente, Susan é vista com desprezo e ironia pelos jurados e pela platéia, mas bastaram os primeiros 10 segundos de sua performance como cantora para ser ovacionada. Desde então, Susan se tornou um fenômeno. Sua apresentação foi uma das mais acessadas na internet nas últimas semanas e virou notícia em inúmeros jornais e emissoras de TV, aqui e em todo o mundo. Um site brasileiro mantinha em sua página inicial a seguinte pergunta: “Porque todos amam Susan Boyle?” É difícil responder a esta pergunta e talvez não haja apenas uma resposta, mas a surpresa e o desconcerto que Susan nos provoca, seguramente estão entre as explicações a respeito dessa questão. Uma das juradas do programa, antes de dar a Susan o seu “sim”, afirma: “O que aconteceu aqui é um alerta para todos nós.” Sim, acredito que o “fenômeno Susan” seja um alerta para todos nós, um alerta sobre o quanto nos deixamos levar pelas aparências, diz respeito ao quanto nos avaliamos e avaliamos os outros pela imagem. Susan tem, é claro, uma voz belíssima e poderosa e sua música, cantada com a alma de uma estrela, emociona, arranca lágrimas e êxtase. Entretanto, acredito que o que mais toca as pessoas que assistiram e assistem Susan, seja a soma disso tudo que já foi dito com a total nudez dessa mulher no palco. Sim, Susan aparece nua, muito mais nua que aquelas mulheres que ficam penduradas nas bancas de jornal – meros arremedos retocados de mulher. Há muito não víamos – pelo menos na mídia – uma mulher tão nua e autêntica quanto Susan. Sem retoques, sem maquiagem, sem “banho de loja”; sem artifício algum para conquistar os jurados e a platéia através sua estampa. Susan chega nua ao palco e, sem nenhum pudor canta, mostrando ao mundo sua autêntica beleza. Acredito ser essa a grande novidade que Susan mostra e que nos faz amá-la. Talvez estejamos cansados de tanta gente com cara de estampa de revista feminina: gente retocada demais, ajeitada demais, esticada demais, arrumada demais, formatada demais e humana de menos. Mas, estando no mundo em que vivemos é de se esperar que uma das primeiras perguntas feitas a Susan depois da fama repentina seja esta: “Você mudará sua aparência?” E ela responde: “Porque deveria mudar?” Mas, dias depois a manchete é a seguinte: “Susan Boyle muda de visual após fama.” E eu penso comigo: “Que pena! Eles não entenderam nada.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-5461523797780306108?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/5461523797780306108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=5461523797780306108' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5461523797780306108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5461523797780306108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/porque-todos-amam-susan-boyle.html' title='Porque todos amam Susan Boyle?'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-7559415558625814982</id><published>2009-04-13T05:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T06:12:17.943-07:00</updated><title type='text'>Resposta à coluna de Ferreira Gullar na Folha de São Paulo</title><content type='html'>&lt;p&gt;Prezado Ferreira Gullar&lt;br /&gt;Certa vez você escreveu assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzir-se&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim &lt;/p&gt;&lt;p&gt;é todo mundo:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte é ninguém:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;fundo sem fundo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;é multidão:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte estranheza&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e solidão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pesa, pondera:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;delira. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;almoça e janta:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se espanta. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;é permanente:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;se sabe de repente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma parte de mim&lt;/p&gt;&lt;p&gt;é só vertigem:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;outra parte,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;linguagem. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Traduzir uma parte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;na outra parte&lt;/p&gt;&lt;p&gt;— que é uma questão&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de vida ou morte —&lt;/p&gt;&lt;p&gt;será arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero acreditar que quem escreveu a coluna deste domingo de páscoa tenha sido apenas uma parte de você. Uma parte que não conhece os enormes avanços que a Reforma Psiquiátrica Brasileira e a lei (à qual você se refere como idiota), puderam fazer na vida e na história dos milhares de familiares e usuários com os quais lidamos no nosso dia-a-dia de trabalhadores da Saúde Mental. Antes desta lei - que não foi daquelas que surgiu de traz da orelha de um cretino qualquer, mas resultado de um processo de mais de 10 anos de discussão, luta, enfrentamentos e negociações - familiares e pacientes tinham no manicômio único modo de ter e oferecer "tratamento" para suas loucuras ou doenças mentais. A mesma parte que desconhece que existem sim em nosso País e em outros: manicômios - com este nome ou com outros mais amenos - que continuam a ferir direitos mínimos aos seus "frequentadores", manicômios que ainda mantêm pessoas encarceradas por 20, 30 ou mais anos, condenadas à reclusão simplesmente pelo fato de serem doentes mentais.&lt;br /&gt;Não quero acreditar que um poeta sensível como você consiga enxergar na doença de seus filhos somente pessoas dispostas a matar ou morrer quando estão em crise, outra parte de você, certamente, conhece muitas outras facetas e singularidades que só quem convive de perto com a esquizofrenia ou outras doenças mentais pode experimentar. Por isso minha carta é um convite... um convite para que você escute a outra parte de si mesmo e desta história que você conta de maneira rasteira e parcial, uma história que tem lá suas dificuldades e imperfeiçoes (e bem sabe você que num mundo perfeito não haveriam poetas) mas é uma história bonita e legítima e que merece no mínimo respeito. Convido outra parte de você a conhecer um CAPS (ou serviço deste tipo) e escutar o depoimento de usuários e familiares que lá frequentam, e que puderam mudar suas histórias por causa das transformações que esta lei provocou em suas vidas. Uma parte de você também não sabe que a hospitalização, de qualquer natureza, não é mais a única solução para as chamadas crises, existe muito mais a ser fazer...Outra parte de você também ficaria encantado em saber que esta lei contruiu muito mais coisas do que descontruiu, descontruiu os manicômios, mas construiu um sem número de outras possibilidades, dispositivos, formas de tratamento, além de muita arte, música e poesia...Creio sinceramente que quem escreveu este artigo é a parte de você que ainda não conheceu a outra parte da história...então venha conhecê-la, tenho certeza de que nenhuma parte de você irá se arrepender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saudações antimanicomiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;Juiz de Fora/MG&lt;br /&gt;trabalhadora de CAPS e militante da reforma psiquiátrica brasileira há 12 anos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-7559415558625814982?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/7559415558625814982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=7559415558625814982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7559415558625814982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/7559415558625814982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/resposta-coluna-de-ferreira-gullar-na.html' title='Resposta à coluna de Ferreira Gullar na Folha de São Paulo'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-1153308511832434209</id><published>2009-01-05T18:24:00.000-08:00</published><updated>2009-06-06T05:58:53.520-07:00</updated><title type='text'>Qual é a parte que nos cabe?</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A. Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de cada eleição toma conta de nós uma grata sensação de dever cumprido, no entanto, é preciso que tenhamos cuidado para não confundir “dever cumprido” com “lavar as mãos”. Lavamos as mãos quando acreditamos que votar é simplesmente passar adiante a responsabilidade do cuidado de nossa cidade para os eleitos: prefeito, vice-prefeito, vereadoras e vereadores. Lavamos as mãos quando votamos no intento de escolher algumas pessoas que resolverão por nós os problemas de nossa cidade, de nossa comunidade ou, o que é ainda pior, nossos problemas pessoais. Lavamos as mãos quando nos damos o direito de “deitar em berço esplendido” e dormir até as próximas eleições, apenas esperando que “os eleitos” exerçam competente e eticamente suas funções. Lavamos as mãos quando criticamos os atos do prefeito eleito com as sábias palavras: “-Ainda bem que eu não votei nele!”, como se isso fizesse diferença.&lt;br /&gt;A nossa ex-ministra do meio-ambiente Marina Silva, em entrevista coletiva após pedir demissão do cargo, disse uma coisa que me ensinou muito sobre a democracia. Ela disse que em qualquer sistema de gestão, seja ele público ou privado, é muito fácil governar “para as pessoas” ou “pelas pessoas”, o grande desafio é, no entanto, governar “com as pessoas”. Esta experiência que ela cita qualquer pai ou mãe de família conhece muito bem, afinal é muito mais fácil e rápido resolver uma situação familiar qualquer dizendo assim: “- Vai ser deste jeito, porque eu decidi assim e pronto”. O difícil é, por outro lado, reunir a família, permitir que todos sejam ouvidos e construir coletivamente uma decisão, que ainda sim, provavelmente não agradará a todos. Aprendemos com isso que um sistema democrático não pode se pretender fácil, rápido ou isento de conflitos, o que implica em concordarmos com a nossa saudosa ex-ministra: governar “com as pessoas” é difícil, dá muito trabalho. Este tem sido o desafio dos governos democráticos, desafio que se impõe não apenas para o gestor, mas especialmente, para aqueles que estarão partilhando “com o gestor” a responsabilidade, o ônus e o bônus, de cada decisão, ou seja, cada um de nós. Sendo assim, voto não é um presente que damos a alguém, é uma aliança de compromisso que nos une por quatro anos àqueles que coletivamente elegemos.&lt;br /&gt;Enfim, as eleições, ao contrário do que às vezes somos tentados a considerar, não encerram nada, elas abrem o início de um novo ciclo. Sendo assim, desejo que o pensamento que nos venha, terminado mais um pleito municipal, não seja o: “Ufa! Acabou!” mas sim o: “Que bom que poderemos recomeçar!”. Recomeçar uma nova fase, uma nova gestão municipal, que não pode de maneira nenhuma ficar nas mãos do prefeito eleito e de mais uma meia dúzia de escolhidos (e cabe a nós vigiarmos para que isso não aconteça). Ninguém foi mais perfeito para descrever este momento pós-eleição do que um amigo, nas suas sabias palavras resumiu todo este artigo me mandando um e-mail assim: “Agora é hora de segurar o andor, senão o santo cai mesmo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-1153308511832434209?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/1153308511832434209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=1153308511832434209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1153308511832434209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1153308511832434209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/qual-e-parte-que-nos-cabe.html' title='Qual é a parte que nos cabe?'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-5335129972885783581</id><published>2008-08-26T18:20:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T05:58:11.602-07:00</updated><title type='text'>Nota de pesar pela morte da Casa de Parto de Juiz de Fora.</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia A Almeida&lt;br /&gt;escrito em agosto de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre os inúmeros retrocessos que nosso município tem assistido nos últimos tempos, o fechamento da Casa de Parto da UFJF certamente merece destaque. Engana-se quem acredita que esse ato, amplamente justificado pelo Sr. pró-reitor de planejamento da UFJF, Carlos Elíseo Barral, significa apenas o que parece: a perda de um serviço de atendimento à parturientes. Ao fechar a Casa de Parto nossa política de saúde se fecha, principalmente, para propostas de atendimento que estejam preocupadas com a humanização, a integralidade no atendimento e em romper com a hierarquia dos saberes médicos, em especial com os superespecializados.&lt;br /&gt;Dizer que a Casa de Parto foi fechada por falta de médicos (obstetras, neonatologistas, e outros) é um contra-senso, é o mesmo que dizer que se fechou uma padaria por falta de médico. Nas Casas de Parto são os profissionais da enfermagem, de nível superior e técnicos, os responsáveis pela condução dos trabalhos. Os assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde também podem compor a equipe. Esqueceram de dizer que a grande inovação que as Casas de Parto oferecem é exatamente a de prescindirem da intervenção do médico, pois pretendem resgatar o parto natural, assistido pela família, sem procedimentos invasivos e cirúrgicos.&lt;br /&gt;Há bem pouco tempo eram as mulheres que detinham o saber sobre a gravidez, o parto e a maternidade. Eram as parteiras e não os médicos que sabiam o segredo de fazer uma criança vir ao mundo. Aos poucos, tais saberes foram expropriados pela medicina a ponto de hoje, para a grande maioria, ser inconcebível um parto sem a presença de um médico, o que não é verdade. Não se pode questionar que os saberes médicos são importantes e em alguns casos, imprescindíveis para que criança e mãe tenham o menor risco, mas isso não é a regra geral. Para a grande maioria dos casos (85% deles segundo a OMS) o parto pode acontecer de maneira natural, sem as intervenções medico-cirúgicas que hoje predominam, especialmente no Brasil.&lt;br /&gt;O que a Casa de Parto viabilizava, e ainda viabiliza nos municípios onde puderam continuar seu trabalho, é algo muito caro para nós mulheres: a possibilidade de recuperarmos alguns saberes que tínhamos sobre a gravidez, o parto e a maternidade. Saberes que fomos perdendo para a medicina superespecializada que hoje se acha a única sabedora dos mistérios da vida e da morte. Não é! Se não resgatarmos este saber perdido, é bem possível que num futuro próximo, nós mulheres comecemos a acreditar que essa idéia de gerar uma criança no próprio ventre seja ultrapassada, arriscada demais para nós e os bebês.&lt;br /&gt;Instituições como as Casas de Parto, que entendem as mulheres como seres humanos integrais, ativas, desejantes, que tem seus próprios saberes e concepções sobre a maternidade, e não como meras “pacientes”, são instituições extremamente subversivas e de difícil aceitação. Não tem sido diferente para aquelas que conseguiram sobreviver aos bombardeios do poder da medicina. Lamentavelmente a nossa sucumbiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-5335129972885783581?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/5335129972885783581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=5335129972885783581' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5335129972885783581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/5335129972885783581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/nota-de-pesar-pela-morte-da-casa-de.html' title='Nota de pesar pela morte da Casa de Parto de Juiz de Fora.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-1260144938596956537</id><published>2008-08-15T18:18:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T17:33:56.460-07:00</updated><title type='text'>Nossa imperfeita e impura democracia</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia A Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As eleições municipais se avizinham e já tenho ouvido muita gente praguejando pelo fato de ter que comparecer às urnas novamente. O discurso da desilusão com nossos representantes tem sustentado uma conclusão muito recorrente: a de que não vale a pena votar. Tudo bem que nós brasileiros temos experimentado uma relação, digamos, “traumática” com a democracia, mas como se diz por aí: “é preciso ter cuidado para não jogar fora o bebê junto com a água suja da bacia”.&lt;br /&gt;É atribuída a Winston Churchill, estadista inglês, a seguinte frase: “A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos". Então concordamos que a democracia seja mesmo imperfeita, tenha suas limitações e muitos problemas, mas de fato, ainda não se inventou nada melhor. Um destes problemas se deve ao fato da tão vangloriada “escolha da maioria” poder se transformar numa “bomba relógio” que mais adiante vai cair no nosso colo (nós, juiz-foranos, temos sofrido na carne as conseqüências de uma tal “bomba relógio”). No entanto, isso não é justificativa para cuspirmos nas urnas. Cuspir nas urnas é cuspir na história, é cuspir na dedicação e no trabalho daqueles que lutaram, muitas vezes com suas vidas, para que pudéssemos fazer nossas próprias escolhas, ainda que, por vezes, atrapalhadas.&lt;br /&gt;Então façamos nossas escolhas mais uma vez, e com orgulho, mas não sem uma certa dose de indignação, que se faz bastante saudável para que tenhamos critérios cada vez melhores, que reduzam cada vez mais nossa margem de erro. Eu tenho algumas sugestões a dar:&lt;br /&gt;Primeiramente se dedique realmente à escolha de seu candidato: se informe, troque opiniões com seus pares, pesquise, desconfie, observe e se for possível converse com seus pretendentes. Não decida rápido demais e nem deixe pra última hora, em qualquer decisão apressada o risco de se equivocar é muito maior. Outra dica importante: não troque seu voto por nada. Seja por promessa de emprego, por saco de cimento, bolsa de estudos ou qualquer outra suposta benesse individual. Você pode ter certeza que o cidadão que é capaz de comprar seu voto, também será capaz de vendê-lo na próxima esquina, por qualquer oferta que ele considere melhor.&lt;br /&gt;Mas ainda sim, com todo este cuidado, é inevitável que cometamos erros, mas aí vem o lado bom da democracia, a cada quatro anos temos a oportunidade de tentar repará-los e cada vez com mais experiência e conhecimento de causa. Ulysses Guimarães, um dos ferrenhos defensores da nossa democracia dizia o seguinte: "A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes." Então, vamos lá! Sacudir a poeira e exercitar mais uma vez nossa imperfeita e impura democracia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-1260144938596956537?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/1260144938596956537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=1260144938596956537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1260144938596956537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/1260144938596956537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/nossa-imperfeita-e-impura-democracia.html' title='Nossa imperfeita e impura democracia'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-6317123358000759940</id><published>2008-08-01T18:21:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T05:50:46.238-07:00</updated><title type='text'>A sociedade dos excessos</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de Araújo Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista recente, o juiz Fausto De Sanctis da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, responsável pela prisão de Daniel Dantas, Celso Pitta e de Naji Nahas, ao comentar resultados de estudos sobre a criminalidade afirmou o seguinte: “...o crime realmente é elevado por conta do excesso das pessoas, não das carências. Quanto mais têm, mais querem. O crime em geral se dá pelo excesso, porque as pessoas que têm menos têm tido postura mais digna que as que têm mais”.&lt;br /&gt;Não me surpreendi com a afirmação deste ilustre Juiz. Estamos mesmo na era dos excessos e são estes excessos que ameaçam a vida em sociedade e nossa existência neste planeta. A sociedade dos excessos é o reflexo de nossa economia de mercado, cujo imperativo que ecoa em uníssono é: consuma! Consuma muito, qualquer coisa e a todo tempo! Alimentos, remédios e bebidas alcoólicas. Imagens, modas e informações. Cursos, capacitações e especializações. Drogas, cirurgias plásticas, felicidade e dietas. Sexo, prazer e extravagâncias. Eletrodomésticos, tecnologias, comodidades e luxo. Enfim, consuma qualquer coisa e, principalmente, consuma em excesso!&lt;br /&gt;Muito me preocupa essa nossa vida de excessos, dos excessos nos quais estão mergulhados os nossos filhos. Eu tenho três e tenho tentado ir, o tanto quanto possível, na contramão destes excessos, tentando educá-los de modo que possam suportar as privações sem grandes angústias. Adio e, sempre que posso, resisto à tentação de comprar o que me pedem, mesmo podendo. Procuro educá-los longe das preocupações com moda e beleza e prefiro os bens duráveis aos descartáveis. Não permito que a TV determine nossa rotina familiar. Nos finais de semana e feriados, quase sempre vamos pra “roça” ou para outros lugares de contato maior com a natureza e onde as privações também são maiores. Evito os shoppings e os restaurantes. Sempre que eles me dizem que precisam de alguma coisa, eu intervenho, e os levo a pensar se realmente precisam daquilo ou se na verdade querem aquilo. Se avaliam que não precisam da tal coisa, então combino que podemos planejar e adiar a compra, e o que acontece, geralmente, é que, na semana seguinte, o querer já é outro.&lt;br /&gt;Também vejo com reserva esta filosofia, muito útil ao consumismo desenfreado, de que o importante é viver o momento. Não é por acaso que o slogan da propaganda de certo cartão de crédito é: “porque a vida é agora”. A mensagem é clara: Compre agora! Não importa o que passou, nem como você fará para pagar a conta depois. O risco é grande de cultivarmos um imediatismo superficial por ser carente de passado, e também irresponsável, por não ter compromisso com o futuro.&lt;br /&gt;O fato é que tenho sido uma “mãe má”, capaz de privar meus filhos daquilo que querem para possibilitar que eles desejem. Ah sim! Desejar é muito diferente de querer! Só desejamos o que não podemos comprar. Espero assim, estar contribuindo com este nosso mundo formando seres humanos e não consumidores, sujeitos menos escravos do querer e mais livres para desejar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-6317123358000759940?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/6317123358000759940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=6317123358000759940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6317123358000759940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/6317123358000759940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/sociedade-dos-excessos.html' title='A sociedade dos excessos'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-4681741876500959102</id><published>2008-07-27T18:16:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T17:09:09.064-07:00</updated><title type='text'>Ética na publicidade</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti, estarrecida, à cobertura da imprensa televisiva ao IV Congresso Brasileiro de Publicidade, ocorrido na semana passada. Foi lamentável escutar o posicionamento dos nossos publicitários, figurados dentre os mais competentes e inteligentes do mundo, de que regulamentar a publicidade é afrontar os princípios do Estado Democrático. A mim não conseguiram vender este discurso. Estabelecer regras, não coloca em risco a democracia, como tentaram nos fazer crer os publicitários. É preciso dizer, em alto e bom tom, que o que distingue a democracia de outras formas de governo não é a ausência de regras, mas sim quem as estabelece.&lt;br /&gt;Num Estado Totalitário, por exemplo, uma pessoa ou um grupo de pessoas define as regras às quais os demais deverão se submeter. Num Estado Democrático, as regras continuam a existir, no entanto, é a sociedade, através dos instrumentos democráticos, que define estas regras, ou seja, é o interesse coletivo e não o individual que é levado em questão. Outra particularidade da democracia é que tais regras não são perenes ou imutáveis, podem e devem ser modificadas, de acordo com a época, a situação e os interesses da sociedade.&lt;br /&gt;Se o mercado publicitário brasileiro quer mesmo defender a democracia, que então escute a sociedade, ao invés de defender apenas seus próprios interesses corporativos. Façam uma pesquisa, sei que são muito bons nisso! Perguntem aos pais e mães de família se eles gostariam que seus filhos pudessem ter acesso a qualquer tipo de programa na TV, em qualquer horário, sem nenhuma preocupação com o conteúdo exibido? Perguntem aos que lutam para abandonar o vício do álcool se eles não gostariam que seus entes queridos tivessem a oportunidade de serem mais críticos ao assistirem um “inofensivo” comercial de cerveja? Perguntem aos defensores das causas ambientais o que eles acham das propagandas que nos dizem o tempo todo: consumam, consumam e entupam o planeta com seu lixo, mas sejam felizes agora? Perguntem às entidades de vítimas do fumo se eles não aplaudiram as restrições feitas às propagandas de cigarro? Perguntem aos especialistas em saúde pública o que eles acham das propagandas de remédio que estimulam a auto-medicação? Perguntem aos endividados dos cartões de crédito, se eles não gostariam de terem sido melhor informados sobre os perigos do crédito fácil?&lt;br /&gt;Se os publicitários realmente defendem a democracia, que escutem a sociedade, certamente ela terá razões éticas irrefutáveis para defender certas regras, saudáveis e necessárias a toda e qualquer civilização, sociedade, instituição, profissão e por aí vai... O nosso desejo mais primário e íntimo é viver sem regras, satisfazer aos nossos impulsos e os outros que se danem. Mas como diria o velho Freud (infelizmente denegrido pela má publicidade) o homem só foi capaz de fundar a civilização quando foi capaz de renunciar aos próprios instintos em favor da coletividade. Meu pai diria assim: _ Minha filha, o fato de você poder dizer tudo o que quer, não lhe dá o direito de dizer tudo o que quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-4681741876500959102?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/4681741876500959102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=4681741876500959102' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4681741876500959102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/4681741876500959102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/em-defesa-da-etica-na-publicidade-e-da.html' title='Ética na publicidade'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-9133701544805257389</id><published>2008-06-22T06:01:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T06:04:01.013-07:00</updated><title type='text'>Dois pesos, duas medidas.</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia A Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou profissional liberal e há alguns anos atrás, me inscrevi num processo de seleção para me conveniar a uma instituição de saúde. Dentre as documentações que me foram exigidas constavam: estar em dia com meu Conselho Profissional, com a Receita Federal e com minhas obrigações eleitorais (e se fosse homem, também com meus deveres com a Pátria), certidão negativa nas esferas municipal, estadual e federal e certidão de bons antecedentes, emitida pela delegacia de polícia. Na ocasião, achei normal esta espécie de procedimento, afinal, creio em valores como cumprimento de deveres, legalidade e honestidade. Anos depois, ao tentar comprar um celular, tive uma terrível surpresa: meu nome estava no SPC há vários meses sem que eu soubesse. Depois de me informar no Serviço de Proteção ao Crédito, descobri que minha pendência se tratava de uma conta telefônica que não foi paga por uma inquilina quando, infelizmente, a tal conta ainda estava em meu nome. Ela, a inquilina que já havia saído do imóvel, provavelmente recebia os avisos de cobrança em seu endereço e não me repassava. Não é necessário dizer que o prejuízo foi todo meu, sem contar o constrangimento na hora da compra do celular que afinal precisou ser comprado em nome do meu marido, mas ainda assim pensei: “Descuido meu deixar num apartamento alugado a conta do telefone em meu nome, que isso me sirva de lição”. Hoje, ao me lembrar destas duas situações, fico completamente indignada, sem compreender a dificuldade do TSE em criar uma maneira de impugnar ou pelo menos restringir a candidatura de cidadãos que estejam com a “ficha suja”. Eu, cidadã comum, certamente não conseguiria me conveniar àquela instituição se apresentasse algum tipo de pendência. No caso do SPC, fiquei impedida de comprar a crédito, alugar imóvel, abrir conta bancária, fazer empréstimo, dentre outras restrições, até conseguir sanar a dívida que me foi imputada, com juros e correção. Entretanto, para os homens públicos do nosso país, a história é outra. Se aproveitando da lentidão da justiça e da falta de leis mais rigorosas, sujeitos reiteradamente envolvidos em escândalos de desvio de verbas, corrupção e sonegação, permanecem elegíveis, se mantendo na confortável posição de “lobos cuidando de galinheiros”. Foi isso que, lamentavelmente, aconteceu em nosso município. Bejani que já na sua primeira gestão deu mostras de como faz uso dos votos e da confiança que o povo lhe deposita, sequer deveria ter sido aceito como candidato à prefeitura municipal uma segunda vez. A sociedade brasileira não agüenta mais tanta corrupção. Basta! Alguém, por favor, me faça entender, porque o TSE permite que certos cidadãos, atolados até o pescoço na lama da corrupção, continuem a freqüentar os palanques eleitorais? Até quando será permitido que participem do processo eleitoral, estes criminosos, a meu ver da pior espécie, que usam dinheiro público a seu bel prazer, dando a eles a possibilidade de receberem as chaves do cofre e o poder públicos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-9133701544805257389?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/9133701544805257389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=9133701544805257389' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9133701544805257389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/9133701544805257389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2008/06/dois-pesos-duas-medidas.html' title='Dois pesos, duas medidas.'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1586494199181423192.post-8988528118083636968</id><published>2008-05-09T18:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T05:49:25.742-07:00</updated><title type='text'>A “novela Ronaldo”</title><content type='html'>Por: Rita de Cássia de A Almeida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta semana os holofotes de desviaram, um pouco, do “caso Isabela” para o “caso Ronaldo/Fenômeno”. A imprensa descobriu que dar um tom novelístico para as matérias rende pontos na guerra da audiência, sendo assim, a “novela Ronaldo”, deve ainda durar alguns dias, até que outra “novela” se instale. Neste mundo de imagens, onde o que importa não é ser ou nem mesmo ter, o que importa é parecer ser e parecer ter, Ronaldo nos escandaliza porque faz cair uma imagem, imagem que tínhamos dele, produzida pela mídia, pela sua posição de garoto propaganda, e por nós mesmos que não cansamos de procurar por heróis. Na era das cirurgias plásticas, do fotoshop, da ojeriza completa à celulite, ao peito caído, às rugas, qualquer espécie de retoque para ficar bem na fita fica aprovado, seja ele qual for. Mas este é o problema das coisas que construímos com imagens, elas se desfazem ao mínimo abalo porque não têm consistência, ou melhor, nem mesmo têm a pretensão de terem consistência. Por isso, rapidamente, a imprensa divulga que Ronaldo corre o risco de perder contratos milionários de publicidade, e o UNICEF tratou rapidamente de veicular que Ronaldo não é seu embaixador, afinal, ninguém quer ser associado a um “sujeito que se envolve com travestis”. Sem contar o quanto de preconceito que esta proposição carrega e sem entrar do mérito do caso, o que me chama a atenção é a rapidez com que uma imagem se desfaz. E vou confessar, não sem uma certa dose de pudor, que sinto certa simpatia por sujeitos feito Ronaldo, e temos muitos outros exemplos de “celebridades” que seguidamente se envolvem em algum “escândalo” porque ousam fazer coisas que não condizem com a imagem que fizeram delas. É claro que Ronaldo não planejou isso conscientemente, ninguém em sã consciência, arrisca a jogar pelo ralo 20.000.000, 00 de dólares (valor que recebe em publicidade por ano) pra “tirar uma” no motel. Mas isso deixa o fato mais interessante, porque nos indica que por mais que se insista em maquiar ou produzir uma imagem de bom moço e herói, o sujeito, aquele de carne e osso, como qualquer mortal, comparece com sua verdade, cheia de estranhezas, incomposturas, deslizes e pecados. Não quero dizer com isso que abomino os bons moços e boas moças, até porque não acredito que ninguém seja totalmente bom ou totalmente mau, o que abomino é esta produção de bons moços e boas moças, belos e belas, regadas a maquiagens, plásticas, retoques e muita, muita hipocrisia, e a cegueira da maioria das pessoas para enxergar estas produções como toscas e medíocres. Eu não tenho acompanhado o “caso Ronaldo”, não sei qual foi o tom das explicações que ele deu sobre o fato, mas minha simpatia por ele aumentaria se soubesse que ele esteja deixando falar o Ronaldo, se esquivando o tanto quanto for possível do Fenômeno. Numa época onde impera a hipocrisia, momentos, ou ainda que relances de autenticidade precisam ser valorizados, pois são uma raridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1586494199181423192-8988528118083636968?l=ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/feeds/8988528118083636968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1586494199181423192&amp;postID=8988528118083636968' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8988528118083636968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1586494199181423192/posts/default/8988528118083636968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com/2009/05/novela-ronaldo.html' title='A “novela Ronaldo”'/><author><name>Rita de Cássia de Araújo Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18114854422483966295</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_5wYAYmCB_vc/ShyRnqujxJI/AAAAAAAAACM/s_QJ_urSggM/S220/Imagem+031.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
